Pesquisa Datafolha aponta liderança de Eduardo Paes com 41%, seguido pelo presidente da Alerj, Douglas Ruas (19%), em cenário que reflete a polarização política fluminense.

O cenário eleitoral para a sucessão do Palácio Guanabara começa a desenhar suas principais forças políticas no Rio de Janeiro. De acordo com o mais recente levantamento do instituto Datafolha, divulgado nesta sexta-feira, 21, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) desponta na primeira colocação com 41% das intenções de voto no cenário estimulado. Na sequência, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), consolida-se como o principal nome do campo conservador e oposicionista, ocupando a segunda colocação isolada com 19% da preferência do eleitorado fluminense, abrindo uma distância expressiva sobre os demais concorrentes.
Em terceiro lugar aparece o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), com 9% das menções, seguido por uma pulverização de postulantes que registram 2% cada: o coronel aposentado da PM João Jacques Busnello (Missão), o sindicalista Cyro Garcia (PSTU), o vereador Willian Siri (PSOL), o empresário André Marinho (Novo) e Juliete Pantoja (UP). Luan Monteiro (PCO) pontua com 1%. Os eleitores indecisos somam 4%, enquanto aqueles dispostos a votar em branco ou anular representam 16%. Ao se isolarem os votos válidos — critério oficial adotado pela Justiça Eleitoral para definir a eleição —, Paes atinge 51%, patamar limítrofe para uma vitória em primeiro turno.
A pesquisa detalha ainda os índices de rejeição popular, elemento crucial para a definição de estratégias nas semanas que antecedem o pleito. Anthony Garotinho lidera a aversão do eleitorado, com 45% afirmando que não votariam nele de forma alguma. Paes enfrenta uma taxa de recusa de 26%, enquanto Douglas Ruas apresenta menor resistência popular inicial, com 19% de rejeição. Na consulta espontânea, na qual nenhum nome é apresentado aos entrevistados, Paes foi lembrado por 21%, Ruas por 8% e Garotinho por 3%, ao passo que 52% dos eleitores ainda não souberam apontar um concorrente preferido.
O recorte ideológico confirma a relevância do alinhamento nacional na definição do voto local. Entre os eleitores alinhados ao bolsonarismo, Douglas Ruas assume a dianteira com 33%, superando Paes, que alcança 27% nesse segmento, enquanto Garotinho tem 10%. Já entre o eleitorado simpático ao PT, o ex-prefeito obtém 59%, contra 7% de Ruas e 6% de Garotinho. No grupo que declara independência e não se vincula a nenhum dos dois polos federais, Paes marca 38% e Ruas atinge 12%, com Garotinho figurando com 10%. Na disputa pelas duas cadeiras ao Senado, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) desponta na liderança com 15%, seguida pelos liberais Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL), ambos com 8%, além de Marcelo Crivella (Republicanos), Pedro Paulo (PSD) e Mônica Benício (PSOL), empatados tecnicamente com 6% cada.
O instituto também aferiu a percepção pública sobre a administração interina do desembargador Ricardo Couto à frente do Executivo fluminense. A gestão é avaliada como ótima ou boa por 28% dos cidadãos, 38% a consideram regular e 16% a julgam ruim ou péssima, restando 18% sem opinião formulada. Em relação à aprovação direta, 47% afirmam aprovar a condução de Couto, 31% desaprovam e 22% não opinaram. A sondagem, encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, ouviu 1.204 eleitores em 35 municípios fluminenses entre 18 e 21 de agosto, possuindo margem de erro de três pontos percentuais e registro no TSE sob o protocolo RJ-02945/2026.
O que esta em jogo: A governança do Estado do Rio de Janeiro atravessa um momento determinante após anos de instabilidade institucional e desafios fiscais severos. A consolidação da liderança de Eduardo Paes evidencia a força da máquina e da memória administrativa da capital, ao passo que o avanço de Douglas Ruas demonstra a relevância e o enraizamento da base conservadora fluminense, ansiosa por uma gestão pautada pela responsabilidade com o gasto público, enfrentamento firme ao crime e defesa da ordem. O resultado da disputa definirá se o estado manterá a alternância tradicional de poder ou se abrirá espaço para uma agenda de reformas estruturais e rigor fiscal.
Com informacoes de revistaoeste.com.