Presidente dos EUA Donald Trump desmente negociações com Teerã, sustenta bloqueio naval e vê impasse sobre a navegação no Estreito de Ormuz se aprofundar.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira, 18, que não existem negociações em andamento ou sequer agendadas com a República Islâmica do Irã para pôr fim ao confronto bélico entre as nações. O pronunciamento, feito diretamente em sua conta na rede Truth Social, buscou dissipar especulações sobre um eventual cessar-fogo iminente. “Não há conversas ou negociações acontecendo, nem programadas, com a República Islâmica do Irã”, garantiu o republicano, reforçando que a postura de firmeza da Casa Branca permanece inalterada diante das pressões do regime persa.
A fala contundente do mandatário norte-americano ocorre em contraste com declarações recentes de seus próprios assessores. Na segunda-feira, 17, o genro e conselheiro presidencial Jared Kushner afirmou à emissora Fox News que os diálogos diplomáticos de bastidor entre Washington e Teerã estariam mais intensificados do que em qualquer momento anterior. Apesar do ruído entre as declarações do assessor e o desmentido público de Trump, o presidente enfatizou que o cerco econômico e militar sobre o território iraniano continua plenamente ativo: “O Bloqueio Naval permanece em pleno vigor e efeito. O Estreito de Ormuz está aberto e operando. Todas as minas aquáticas foram removidas ou detonadas”.
Do lado iraniano, contudo, a narrativa é de enfrentamento e resistência. Mohammad Baqer Qalibaf, apontado como o principal negociador de Teerã, sustentou que o tráfego pelo Estreito de Ormuz permanecerá restrito até que os Estados Unidos cumpram os termos estabelecidos em um acordo provisório pactuado em junho. Trump já antecipou na segunda-feira que não pretende estender os efeitos desse pacto anterior, rejeitando as condições exigidas pelo governo islâmico, que incluem o término imediato do cerco aos portos do país, a derrubada das sanções petrolíferas, o descongelamento de ativos soberanos e a interrupção das ações militares conjuntas.
O impacto prático desse impasse reflete-se diretamente no comércio internacional e na livre navegação marítima. Monitoramentos da consultoria Kpler revelam que apenas 28 navios conseguiram atravessar a rota estratégica de Ormuz entre sexta-feira e domingo — uma queda drástica frente à média histórica pré-guerra de cerca de 130 embarcações diárias registrada pelo Congressional Research Service. Diante da estagnação dos termos para uma solução definitiva, um alto funcionário do regime de Teerã informou à agência Reuters que o país adotará uma postura “totalmente ofensiva”, elevando o risco de novas hostilidades na região.
O que esta em jogo: A disputa geopolítica deflagrada no fim de fevereiro após os ataques iniciais de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos transcende a rivalidade regional e atinge o coração da estabilidade energética global. O Estreito de Ormuz é um dos principais gargalos logísticos do planeta, vital para o fluxo de petróleo e para a segurança do livre mercado internacional. A recusa de Trump em ceder a chantagens diplomáticas de uma teocracia hostil reafirma o compromisso com a soberania, a dissuasão militar e a proteção das rotas de comércio, ao mesmo tempo em que a reação agressiva de Teerã coloca em teste a capacidade das potências ocidentais de manter a ordem econômica sem capitular perante regimes autoritários.
Com informacoes de revistaoeste.com.