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MPF abre inquérito sobre omissão do governo na fiscalização de publicidade de plataformas de apostas

O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma investigação para apurar a suposta omissão do governo federal na regulamentação e fiscalização da publicidade de plataformas de apostas online, as 'bets'. A apuração visa verificar se as ações da União estão em conformidade com a Constituição, especialmente em relação à proteção contra propagandas abusivas que possam prejudicar a saúde e a economia familiar, além de focar na proteção de crianças e adolescentes.

Por Redação Ponto FixoPublicado 05/07/2026 às 01h02· 3 min de leitura
MPF abre inquérito sobre omissão do governo na fiscalização de publicidade de plataformas de apostas
Foto: Joedson Alves/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil público nesta sexta-feira, 3, com o objetivo de investigar a atuação do governo federal na fiscalização e regulamentação da publicidade de plataformas de apostas online, popularmente conhecidas como ‘bets’. A iniciativa do MPF busca determinar se houve uma omissão por parte da União em garantir que a publicidade desses serviços esteja em conformidade com as diretrizes constitucionais, as quais preveem a proteção dos cidadãos contra propagandas que possam gerar prejuízos à saúde e à estabilidade econômica das famílias.

A investigação surge a partir de denúncias que apontam para possíveis práticas publicitárias abusivas e enganosas, notadamente observadas durante as transmissões da Copa do Mundo pela CazéTV, no YouTube. Além de analisar o conteúdo das peças publicitárias em si, o inquérito se estenderá à conduta dos responsáveis pelas transmissões, incluindo comentaristas esportivos que, por vezes, compartilham palpites e dicas de apostas durante as partidas, o que pode ser interpretado como uma forma de promoção velada.

No despacho que formaliza o inquérito, o MPF salienta a necessidade de avaliar se o governo deixou de aplicar integralmente as normas previstas na legislação que regulamenta as apostas de quota fixa. Um ponto crucial da apuração é verificar a suficiência das medidas governamentais existentes para salvaguardar grupos mais vulneráveis da sociedade, com especial atenção a crianças e adolescentes, que podem ser facilmente influenciados por esse tipo de publicidade.

Adicionalmente, o órgão ministerial pretende identificar as ações práticas que estão sendo implementadas para restringir o alcance da publicidade das plataformas de apostas, bem como se existem novas normas em fase de estudo ou implementação para efetivamente impedir que essa propaganda atinja menores de idade e outros segmentos da população considerados vulneráveis. A preocupação é com o impacto social e econômico que a exposição massiva e desregulamentada a essas plataformas pode gerar.

Este movimento do MPF insere-se em um contexto mais amplo de questionamentos sobre a publicidade de apostas no Brasil. A Secretaria Nacional do Consumidor, por exemplo, já havia iniciado uma investigação em junho para apurar se a CazéTV, em suas ações publicitárias, incentivou apostas impulsivas, prometeu ganhos fáceis ou minimizou os riscos inerentes à atividade. Episódios como a divulgação de ‘odds turbinadas’ e convites diretos, como o feito pelo narrador Galvão Bueno em uma transmissão para ‘colocar a paixão em jogo’ direcionando a um QR Code da Betnacional, estão sob escrutínio. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) também agiu, suspendendo liminarmente as propagandas em formato de ‘testemunhal’ de casas como KTO, Betnacional e Bet365 na CazéTV, indicando uma crescente preocupação regulatória em diversas frentes.

O que está em jogo: A investigação do MPF pode levar a novas regulamentações e à revisão das práticas publicitárias no setor de apostas online, com o potencial de impactar significativamente a forma como essas empresas se comunicam com o público brasileiro, especialmente visando a proteção de menores e a prevenção de prejuízos financeiros e sociais.

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