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Polícia Federal aponta que lobista atuava com suposta autorização de Lulinha em negócios federais

Investigação da PF revela mensagens onde lobista dizia falar por Fábio Luís Lula da Silva, abrindo três inquéritos no STF por tráfico de influência.

Por Redação Ponto FixoPublicado 19/08/2026 às 08h02· 3 min de leitura
Polícia Federal aponta que lobista atuava com suposta autorização de Lulinha em negócios federais
Foto: Agência Senado from Brasilia, Brazil / Wikimedia

Um novo relatório da Polícia Federal (PF) trouxe à tona suspeitas de tráfico de influência envolvendo o círculo íntimo da presidência. De acordo com as investigações, a lobista Roberta Luchsinger demonstrava possuir autorização explícita para agir e prospectar negócios em nome de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido popularmente como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação faz parte de uma apuração que analisa a interferência indevida em contratos da administração pública.

As revelações vieram à luz a partir de diálogos interceptados entre Roberta e Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha e investigado por desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a corporação policial, o grupo incluía ainda a participação do empresário Antônio Camilo Antunes, apelidado de Careca do INSS, funcionando como uma ponte para articular interesses privados dentro de autarquias e ministérios do governo federal.

Com base nos elementos obtidos no fim de julho através da apuração originada no INSS, a PF solicitou a abertura de três novos inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). As frentes de investigação buscam desvendar irregularidades em áreas estratégicas: a primeira foca em tratativas ligadas ao Ministério da Saúde; a segunda examina contratos e movimentações na Dataprev; e a terceira averigua ações em outro setor da Esplanada dos Ministérios. A apuração também quer esclarecer se Lulinha figurava como sócio oculto de Antônio Camilo Antunes e se despesas de viagens do filho do presidente foram custeadas pela lobista.

Além das menções diretas ao filho de Lula, as mensagens interceptadas mostram o pagamento de despesas e boletos em favor de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência da República. Ribeiro afirmou que a transação tratou-se de um empréstimo pessoal já quitado no valor de R$ 249 mil. Os registros também expõem diálogos sobre aquisição de joias para a esposa do ex-assessor e o envio de uma minuta de contrato com o objetivo de intermediar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, embora não haja registro de encaminhamento formal do documento a instâncias superiores.

Em resposta às acusações, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva declarou que ele não pode ser responsabilizado por declarações feitas por terceiros nem se pronunciar sobre mensagens cuja autenticidade não tenha sido comprovada. O advogado Marco Aurélio de Carvalho repudiou os relatórios da PF, classificando as conclusões como “ilações irresponsáveis” e acusando setores da polícia de vazamentos seletivos com motivação eleitoral. A assessoria jurídica de Roberta Luchsinger também criticou a exposição dos dados sigilosos e pediu providências ao Ministério da Justiça.

O que esta em jogo: A abertura de múltiplos inquéritos sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal reacende o debate sobre o uso de conexões familiares e políticas no acesso a verbas e contratos do governo. Em um momento de crescente cobrança por transparência e responsabilidade fiscal na gestão da máquina pública, as investigações colocam pressão direta sobre o núcleo governamental e reforçam a necessidade de auditoria rigorosa para impedir que o patrimonialismo e a intermediação ilícita lesem os cofres públicos e os interesses da sociedade.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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