Candidato do Novo à Presidência classifica apostas on-line como ameaça às famílias e promete decreto de extinção imediata do setor caso seja eleito.

Em um contundente posicionamento durante sua campanha à Presidência da República, Romeu Zema (Novo) anunciou que sua primeira medida no Palácio do Planalto será a extinção completa das plataformas de apostas esportivas e jogos on-line, as chamadas bets. O anúncio ocorreu nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, na praça da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Jardim Paulistano, em São Paulo. Zema classificou o segmento como uma atividade predatória e prejudicial à sociedade: “Depois de escutar aqui esses relatos, eu já decidi que o 1º ato meu como presidente vai ser acabar com as bets. É uma praga, é um câncer que nós temos hoje dentro do Brasil. Continuar tolerando isso é estar assistindo ao enriquecimento de poucos, que estão ganhando milhões, manipulando a cabeça das pessoas”, declarou o postulante.
O posicionamento de Zema se deu após ouvir testemunhos de cidadãos e parentes de pessoas afetadas pelo vício em jogatina eletrônica, que relataram graves crises financeiras e abalos emocionais. Entre os casos mencionados esteve o de uma mãe que deixou de comprar alimentos para os próprios filhos em razão da dependência gerada pelas plataformas digitais. Ao ser questionado sobre o caminho legal para implementar o banimento, Zema informou que pretende agir via decreto presidencial. O candidato comparou a operação dessas empresas a “veneno”, sustentando que a prioridade de um governo deve ser estancar o dano social imediato antes de abrir qualquer diálogo com as corporações do setor.
A dimensão da sangria financeira provocada pelo mercado de apostas no Brasil é corroborada por dados oficiais e pesquisas de opinião. Em 2025, os brasileiros perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas, de acordo com o Comsefaz, enquanto o volume total de transferências via Pix ligadas ao setor atingiu a expressiva marca de R$ 350,97 bilhões no mesmo período. Paralelamente, levantamento do Datafolha divulgado em agosto revelou que 48% dos apostadores na Copa do Mundo de 2026 amargaram prejuízos financeiros, contra apenas 37% que declararam algum lucro e 15% que empataram os recursos investidos.
Para além da proibição do jogo compulsivo, o candidato do partido Novo apresentou propostas econômicas liberais e estruturantes voltadas a combater a raiz do endividamento da população. Zema defendeu o aumento da renda real, a contenção dos juros básicos — prometendo trabalhar para fixar a taxa Selic em até 6% —, reformas administrativas e da Previdência, privatizações e a revisão de programas sociais. No âmbito da gestão pública, o candidato delineou um plano de austeridade para reduzir a Esplanada dos Ministérios para 22 ou 23 pastas, fundindo áreas como Portos, Aeroportos e Cidades em um único Ministério da Infraestrutura.
O cerco institucional e o debate político em torno das apostas eletrônicas vêm se intensificando transversalmente na corrida eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já se manifestou contra as plataformas on-line afirmando que a “desgraça do jogo é a desgraça da mentira”, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa a reeleição, classificou a questão como problema de saúde pública ao cravar: “Ou o Brasil acaba com as bets, ou as bets acabam com o Brasil”. O setor também enfrenta endurecimento de fiscalização: em agosto, o Ministério da Fazenda suspendeu seis empresas detentoras de 14 marcas por irregularidades, enquanto o Ministério Público do Rio de Janeiro investiga um esquema ilícito que movimentou mais de R$ 1,4 bilhão entre 2022 e 2026.
O que esta em jogo: A ofensiva contra as bets expõe a grave crise de endividamento gerada pela proliferação indiscriminada do jogo no país, drenando recursos vitais que deveriam circular no consumo produtivo, na poupança e no bem-estar dos lares brasileiros. Ao posicionar a proteção da família e a estabilidade econômica no centro do debate, a pauta confronta diretamente interesses bilionários para preservar o patrimônio moral e financeiro da população contra a manipulação da dependência.
Com informacoes de revistaoeste.com.