O governo chileno busca endurecer a punição para adolescentes infratores em crimes graves, propondo que jovens de 16 e 17 anos sejam julgados pela Justiça comum. A medida vem após casos de grande repercussão e retoma um debate de 2022.

O Chile se prepara para um debate crucial sobre a justiça juvenil, com o governo apresentando um projeto de lei que visa permitir que adolescentes de 16 e 17 anos sejam julgados pela Justiça comum em casos de crimes graves. A proposta, anunciada pelos ministros da Segurança Pública, Martín Arrau, e da Justiça, Fernando Rabat, na última quarta-feira, 1º, busca alterar a Lei de Responsabilidade Penal Adolescente, sem, contudo, reduzir a idade mínima de responsabilidade penal, que permanece em 14 anos.
A iniciativa do governo do presidente José Antonio Kast tem como foco 17 tipos de crimes considerados de alta gravidade, incluindo homicídio, estupro e incêndio. Atualmente, infratores menores de 18 anos são submetidos a um sistema de Justiça juvenil que prioriza a reabilitação e impõe sanções mais brandas em comparação com as aplicadas a adultos, uma abordagem que a nova proposta busca modificar substancialmente para atos específicos e bárbaros.
O catalisador para esta discussão é a crescente onda de crimes violentos que chocaram a sociedade chilena. O debate foi reaquecido após o brutal assassinato de um menino de 12 anos durante um assalto à casa de sua família em San Bernardo, crime no qual adolescentes foram apontados como participantes. Esse evento trágico trouxe à tona um projeto que estava parado no Congresso desde 2022, evidenciando a urgência e a comoção social em torno da impunidade percebida para crimes cometidos por menores.
Adicionalmente, um caso emblemático em junho reforçou a necessidade de revisão da legislação. Um homem de 19 anos recebeu prisão perpétua pelo assassinato de um cidadão francês, enquanto os adolescentes envolvidos no mesmo crime foram sentenciados a apenas dez anos em um centro de detenção juvenil. Essa disparidade nas sentenças para o mesmo ato criminoso sublinhou a lacuna existente na legislação atual e a percepção de que as punições para menores em crimes hediondos não são proporcionais à gravidade de suas ações.
A proposta chilena ecoa debates semelhantes em outros países, incluindo o Brasil, onde a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara aprovou a admissibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição para reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes graves, como homicídio doloso e latrocínio. Enquanto o Chile pede urgência na tramitação, com a ressalva de que um juiz deverá autorizar a mudança em cada caso, a questão central reside na busca por um equilíbrio entre a reabilitação juvenil e a necessidade de justiça e segurança pública.
O que está em jogo: A proposta chilena reflete uma tendência regional de endurecer a resposta penal a crimes graves cometidos por adolescentes, buscando maior responsabilização e desestimulando a criminalidade juvenil violenta, o que pode alterar significativamente a abordagem judicial para menores infratores e o senso de segurança da população.
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