O Irã iniciou as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, ex-líder supremo, com estimativas de milhões de participantes em meio a crescentes tensões no Oriente Médio, exacerbadas pelas circunstâncias de sua morte.

As autoridades iranianas deram início, nesta sexta-feira, aos rituais fúnebres do ex-líder supremo Ali Khamenei, que, segundo o regime, morreu em 28 de fevereiro em ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos. As cerimônias, que começaram em Teerã, capital do Irã, e culminarão no funeral nacional neste sábado, prometem mobilizar entre 15 e 20 milhões de pessoas apenas na capital, evidenciando a magnitude do impacto da figura de Khamenei na sociedade iraniana e a capacidade de mobilização do regime.
O Complexo da Mesquita Grande Mosalla, em Teerã, se tornou o centro das homenagens, exibindo o caixão de Khamenei até a próxima segunda-feira. O local foi adornado com retratos gigantes do ex-líder, bandeiras pretas de luto e, simbolicamente, bandeiras vermelhas, que na cultura xiita representam martírio e vingança. Essa simbologia não é meramente decorativa, mas uma declaração política e religiosa que ressoa profundamente em um momento de acirramento das tensões geopolíticas na região.
A presença de altas autoridades, como o presidente Masoud Pezeshkian e o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, sublinha a relevância do evento para a cúpula do poder iraniano. A ausência de Mojtaba Khamenei, filho de Ali e apontado como o atual líder supremo, tem gerado especulações. O regime alega que Mojtaba foi ferido nos mesmos ataques que vitimaram o pai, e suas manifestações têm sido exclusivamente por mensagens escritas, sem aparições públicas, o que pode indicar uma transição de poder sob circunstâncias delicadas e potencialmente violentas.
As cerimônias fúnebres não são apenas um rito de passagem, mas também uma demonstração de força e coesão interna, além de uma clara mensagem ao mundo externo. A expectativa de um número tão expressivo de participantes evoca memórias do funeral de Ruhollah Khomeini em 1989, quando cerca de 10 milhões de pessoas compareceram, gerando tumultos. A organização do evento, com imagens de Khamenei de punho erguido e mensagens de eternidade, busca solidificar seu legado e inspirar a continuidade de sua visão política e religiosa.
O contexto em que essas homenagens ocorrem é de extrema volatilidade. O frágil cessar-fogo entre Teerã e Washington, juntamente com o reforço da segurança na capital iraniana e a decretação de feriado nacional para a próxima segunda-feira, quando o Aeroporto de Teerã estará totalmente fechado, revela a seriedade com que o regime encara o evento e suas possíveis repercussões. O sepultamento final de Ali Khamenei, previsto para 9 de julho em Meshed, no nordeste do Irã, e uma parada anterior do caixão no Iraque, país vizinho de maioria xiita, ampliam o alcance simbólico e político da despedida.
O que está em jogo: A morte de Ali Khamenei e as grandiosas cerimônias fúnebres sinalizam um momento crítico para a sucessão do poder no Irã e podem intensificar as tensões já elevadas no Oriente Médio, com a retórica de vingança sugerindo um potencial aumento na confrontação com Israel e Estados Unidos, redefinindo o equilíbrio de poder regional.
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