Milhões de clientes de bancos como Master e Will Bank ainda não resgataram valores garantidos pelo FGC após as liquidações realizadas pelo Banco Central. O montante não reclamado já atinge R$ 2,2 bilhões, destacando a importância de entender os mecanismos de ressarcimento.

Cerca de 1,7 milhão de clientes e investidores ainda não buscaram os valores garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após a liquidação de instituições financeiras como Master, Letsbank, Will Bank e Pleno pelo Banco Central. O montante esquecido atinge a cifra de R$ 2,2 bilhões, conforme informações divulgadas pelo próprio Fundo, apesar de a maior parte dos pagamentos já ter sido efetuada, somando quase R$ 50 bilhões para 2,5 milhões de clientes.
A concentração de resgates pendentes é notável no Will Bank, onde apenas 20% dos clientes com até R$ 1 mil a receber efetuaram a solicitação de pagamento. Além disso, 60,5 mil credores com valores superiores a R$ 1 mil permanecem sem o ressarcimento. Embora a situação seja menos crítica em outras instituições, como Banco Master (66 mil credores), Banco Pleno (23 mil) e Letsbank (6 mil), a questão dos valores não reclamados permanece um desafio para o FGC e um ponto de atenção para os consumidores.
O processo de solicitação de ressarcimento, para a maioria dos casos, é realizado de forma digital. Pessoas físicas devem utilizar o aplicativo do FGC, disponível para Android e iPhone, que exige cadastro de conta bancária, validação biométrica e envio de documentos. Pessoas jurídicas, por sua vez, devem recorrer ao Portal do Investidor, também administrado pelo FGC. Uma exceção notável são os clientes do Will Bank com até R$ 1 mil, que devem solicitar o pagamento diretamente pelo aplicativo da própria instituição.
É crucial lembrar que o FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição financeira ou conglomerado, com um limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. A garantia cobre uma série de produtos financeiros, incluindo conta corrente, poupança, CDBs, RDBs, LCIs, LCAs, Letras de Câmbio e Letras Hipotecárias. Contudo, aplicações em fundos de investimento, ações, debêntures, CRIs, CRAs, ETFs, títulos do Tesouro Direto e COEs não são cobertas. Clientes que já atingiram o limite de R$ 250 mil em aplicações no Master e Letsbank não terão novos valores a receber do Will Bank, pois pertencem ao mesmo conglomerado financeiro, conforme a regra de consolidação que passou a valer a partir de 1º de setembro de 2024 para investimentos realizados após 31 de agosto de 2024.
A dimensão dos valores não resgatados e o número expressivo de clientes ainda aguardando seus pagamentos sublinham a importância de os cidadãos estarem cientes dos mecanismos de proteção ao investidor e dos procedimentos para acionar o FGC em casos de liquidação de instituições financeiras. A complexidade de alguns casos, como a distinção de canais para resgate no Will Bank e a regra do conglomerado financeiro, reforça a necessidade de informação e vigilância por parte dos investidores.
O que está em jogo: A não recuperação de R$ 2,2 bilhões por quase 2 milhões de clientes de bancos liquidados evidencia a lacuna de informação e a urgência de simplificar processos para que os cidadãos possam reaver seus recursos, garantindo a proteção e a confiança no sistema financeiro.
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