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Inadimplência recorde: 4,7% das operações de crédito em atraso superior a 90 dias, o maior nível desde 2011

A inadimplência no Brasil atingiu o maior patamar da série histórica, com 4,7% das operações de crédito em atraso superior a 90 dias, evidenciando um problema estrutural nas finanças brasileiras e a urgência de educação financeira.

Por Redação Ponto FixoPublicado 02/07/2026 às 23h02· 2 min de leitura
Inadimplência recorde: 4,7% das operações de crédito em atraso superior a 90 dias, o maior nível desde 2011
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A taxa média de inadimplência das operações de crédito no Brasil escalou para 4,7% em maio de 2026, um recorde desde o início da série histórica do Banco Central em 2011. Este índice, que considera as dívidas com atraso superior a 90 dias no Sistema Financeiro Nacional, não apenas reflete a dificuldade crescente das famílias em honrar seus compromissos financeiros, mas também aponta para uma vulnerabilidade estrutural na economia doméstica.

O cenário é agravado por outros dados preocupantes, como o elevado endividamento das famílias e o levantamento da Serasa que, também em 2026, indicou que 81,7 milhões de brasileiros enfrentam algum tipo de inadimplência. Este aumento não se trata de um problema isolado, mas sim de um sintoma de desequilíbrios mais profundos que afetam o poder de compra e a estabilidade financeira dos cidadãos.

Especialistas alertam que a solução para a inadimplência vai além de programas emergenciais de renegociação de dívidas. Carlos Akira Sato, cofundador da Syscapital e especialista em educação financeira, sublinha que tais iniciativas são úteis para alívio imediato, mas falham em tratar a raiz do problema. Para ele, o desafio reside na ausência de uma educação financeira sólida e consistente, desde os primeiros anos da vida escolar.

Akira argumenta que o Brasil tem “formado consumidores antes de formar cidadãos financeiramente conscientes”, resultando em muitos indivíduos que só compreendem a complexidade de juros, crédito e endividamento quando já estão imersos em dificuldades. Essa lacuna educacional perpetua um ciclo vicioso, onde o conhecimento financeiro é adquirido pela experiência amarga, em vez de ser uma base preventiva para decisões econômicas saudáveis.

A educação financeira, segundo o especialista, não deve ser vista como filantropia, mas como uma “infraestrutura econômica” essencial. Ela deve capacitar os cidadãos com conceitos fundamentais como organização orçamentária, compreensão do impacto dos juros, distinção entre consumo e patrimônio, e o hábito de poupar. A responsabilidade por esta formação não recai apenas sobre o governo, mas também sobre empresas, instituições financeiras e plataformas digitais, que têm um papel crucial na disseminação desse conhecimento vital para a construção de um futuro financeiro mais sólido para o país.

O que está em jogo: A escalada da inadimplência reflete uma fragilidade estrutural na educação financeira do país, exigindo ações coordenadas entre poder público e setor privado para formar cidadãos mais conscientes e capazes de gerir suas finanças, impactando diretamente a estabilidade econômica e social do Brasil.

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