A escolha do candidato do PL ao Senado no Rio de Janeiro causa ranhuras na base bolsonarista, com Flávio Bolsonaro sob crescente pressão para tomar uma decisão entre Carlos Jordy e Carlos Portinho.

A disputa por um nome forte para o Senado Federal no Rio de Janeiro intensifica a pressão sobre Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, que desembarcou no estado nesta quinta-feira para tentar selar a escolha. A decisão entre o deputado federal Carlos Jordy e o senador Carlos Portinho é crucial para a chapa do Partido Liberal (PL), especialmente após a desistência do ex-governador Cláudio Castro de concorrer à vaga.
Internamente, as pesquisas de intenção de voto não apontam resultados expressivos para nenhum dos pré-candidatos, o que complica a tomada de decisão. A indefinição já gera insatisfação entre aliados, que veem na demora um sinal de desorganização da direita, o que poderia abrir caminho para o avanço de adversários em redutos eleitorais tradicionalmente associados à família Bolsonaro. Essa percepção é ainda mais acentuada pela necessidade de formar uma chapa coesa com Douglas Ruas (PL), atual presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao governo.
A escolha entre Jordy e Portinho reflete diferentes vertentes dentro do próprio PL. Carlos Jordy, apoiado pela ala mais ideológica do partido, é visto como um representante autêntico do ‘bolsonarismo raiz’. Já Carlos Portinho angariou o apoio público de mais de 30 prefeitos, indicando uma base mais ligada ao eleitorado municipalista e com maior capilaridade política. O líder da bancada do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, por sua vez, perdeu força na disputa, influenciado pela resistência do pastor Silas Malafaia.
Paralelamente, a situação de Flávio Bolsonaro é permeada por desafios recentes que aumentam a complexidade do cenário. A desistência de Cláudio Castro já havia sido um revés, e o senador ainda enfrentou desgaste público devido à divulgação de conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, além de um desentendimento com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Esses fatores contribuem para a urgência em apresentar uma definição sólida e restaurar a percepção de unidade e força política.
Enquanto o PL se debate internamente, outras forças políticas no Rio de Janeiro avançam. O PSD, por exemplo, já lançou o deputado federal Pedro Paulo como pré-candidato ao Senado, integrando a chapa do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD). A movimentação de prefeitos e vereadores de União Brasil, PP e até mesmo do próprio PL em encontros com Paes e Pedro Paulo no interior do estado indica que a concorrência se organiza rapidamente, exigindo uma resposta ágil e eficaz da frente conservadora.
O que está em jogo: A decisão do PL no Rio de Janeiro não apenas definirá uma peça-chave na disputa eleitoral, mas também testará a capacidade de articulação e unidade da base bolsonarista, influenciando a percepção pública sobre a força e organização do movimento em um dos maiores colégios eleitorais do país.
Com informacoes de fonte, fonte.