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Crise na Venezuela: EUA enviam mais de 900 militares após terremotos e geram tensões com regime chavista

Os Estados Unidos mobilizaram mais de 900 militares para a Venezuela em uma missão humanitária e logística após os recentes terremotos, uma ação que, apesar do caráter de auxílio, evidenciou as tensões existentes com o regime chavista, notadamente após um incidente envolvendo o ministro Diosdado Cabello.

Por Redação Ponto FixoPublicado 01/07/2026 às 11h06· 2 min de leitura
Crise na Venezuela: EUA enviam mais de 900 militares após terremotos e geram tensões com regime chavista
Foto: NASA / Wikimedia

Em um movimento significativo de assistência humanitária, os Estados Unidos enviaram mais de 900 militares à Venezuela, além de 800 para bases de apoio em Porto Rico e Curaçao, com o objetivo de auxiliar nas operações de resgate e recuperação após uma série de terremotos devastadores. A informação, confirmada pelo general Francis Donovan do Comando Sul dos EUA, sublinha o compromisso americano em mitigar os impactos de catástrofes naturais, mesmo em contextos politicamente sensíveis.

A missão, descrita como estritamente humanitária e logística, envolve militares em operações de busca e resgate, restabelecimento de aeroportos e o uso de meios aéreos e navais para facilitar a chegada de ajuda. Drones também estão sendo empregados para fornecer informações cruciais sobre infraestruturas danificadas às autoridades venezuelanas, demonstrando a abrangência do suporte oferecido em um momento de grande necessidade para a população.

Os terremotos, ocorridos em sequência na última quarta-feira, 24, causaram uma tragédia de grandes proporções. Balanços oficiais venezuelanos indicam que 1.943 pessoas morreram e mais de 10,5 mil ficaram feridas. A Organização das Nações Unidas estima que cerca de 50 mil indivíduos permanecem desaparecidos, evidenciando a escala da devastação e a urgência da assistência internacional.

No entanto, a delicada relação política entre os EUA e a Venezuela foi evidenciada por um incidente durante as operações de resgate. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, em uma discussão com um brigadista norte-americano em La Guaira. O socorrista, em meio aos esforços, teria confrontado Cabello, pedindo que se afastasse da área de buscas enquanto tentava alcançar uma pessoa sob os escombros. Este episódio ressalta as fricções inerentes à cooperação entre nações com históricos de tensões diplomáticas, mesmo em situações de calamidade.

Diosdado Cabello é uma figura central no regime chavista, estando inclusive na lista de procurados dos EUA desde 2020 sob acusações de narcotráfico, com uma recompensa oferecida por informações que levem à sua captura. A presença de militares americanos em território venezuelano, ainda que para fins humanitários, e a interação direta com figuras proeminentes do regime, ilustram a complexidade de se prestar auxílio em um ambiente carregado de desconfiança e rivalidades políticas.

O que está em jogo: A missão humanitária dos EUA na Venezuela, enquanto oferece alívio vital após os terremotos, também destaca a intrincada dinâmica entre ajuda internacional e soberania nacional, podendo abrir portas para futuras interações ou, ao contrário, intensificar as tensões já existentes com o regime chavista, especialmente dada a presença de figuras como Diosdado Cabello.

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