Kassio Nunes Marques pauta julgamento no TSE após divergências no STF sobre ataques à campanha de Flávio Bolsonaro.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, agendou para a quarta-feira, 30 de setembro de 2026, a análise em plenário virtual sobre a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso envolve a determinação de exclusão de conteúdos digitais que imputavam falsamente ao senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), a intenção de revogar o título de padroeira do Brasil conferido a Nossa Senhora Aparecida. O tema expõe o uso de desinformação de cunho religioso na disputa política nacional.
Disputa jurídica e decisões conflitantes
A iniciativa do presidente do TSE ocorre em resposta a um impasse processual que se acumulou nos últimos dias no STF. Originalmente, o ministro André Mendonça havia ordenado a remoção das publicações que disseminavam a narrativa inverídica sobre o candidato conservador. No entanto, no domingo anterior, dia 27, o ministro Flávio Dino derrubou a ordem sob a justificativa de preservação da liberdade de expressão, liberando postagens como a do humorista Antonio Tabet. A oscilação gerou forte instabilidade jurídica na reta final de uma corrida presidencial acirrada.
A resposta institucional à manobra não tardou: na segunda-feira, 28, o ministro Luiz Fux acolheu recurso da defesa de Flávio Bolsonaro e suspendeu o despacho de Dino. Fux restabeleceu a determinação de Mendonça até que o colegiado deliberasse formalmente sobre a matéria, destacando o impacto direto dessas narrativas enganosas sobre a lisura do processo eleitoral e o equilíbrio entre os concorrentes.
Tensão institucional entre Cortes
A intervenção do TSE se consolidou após o presidente do STF, Edson Fachin, decidir não pautar o litígio no plenário da Suprema Corte para a mesma quarta-feira, apesar de sinalizações prévias. O vaivém decisório gerou atritos internos no Judiciário, levando Kassio Nunes Marques a reclamar publicamente sobre a sobreposição do Supremo em competências próprias da Justiça Eleitoral e a cobrar providências formais da presidência do tribunal constitucional.
O episódio delimita com clareza os grupos em confronto: de um lado, a campanha do senador Flávio Bolsonaro e o eleitorado cristão, que buscam proteção jurídica contra a disseminação de calúnias desenhadas para ferir a sensibilidade católica e desestabilizar candidaturas conservadoras; do outro, setores de oposição e produtores de conteúdo que tentam classificar peças difamatórias como mera sátira ou manifestação política protegida. Resta saber se o plenário virtual do TSE manterá um critério rigoroso e uniforme contra ofensas a símbolos religiosos em outros episódios da mesma eleição.
O que está em jogo: a definição do TSE sobre a ordem de André Mendonça determinará os limites imediatos para a remoção de fake news que exploram a fé do eleitorado nas eleições presidenciais, cabendo observar a rapidez da análise dos ministros no plenário virtual de 30 de setembro e eventuais recursos posteriores no plenário físico do STF.
Com informacoes de revistaoeste.com.