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Paraíba vira palco de guerra entre Câmara e TCU pelo Senado

Disputa pelo Senado na Paraíba coloca frente a frente os clãs de Hugo Motta e Vital do Rêgo Filho em intensa briga de poder.

Por Redação Ponto FixoPublicado 28/09/2026 às 07h02· 3 min de leitura
Paraíba vira palco de guerra entre Câmara e TCU pelo Senado
Foto: Reprodução

A corrida por uma cadeira no Senado pela Paraíba transformou o cenário político local em um embate de alta voltagem com reflexos diretos no centro do poder em Brasília. De um lado da arena está Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Do outro, o atual senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), irmão de Vital do Rêgo Filho, atual presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Antigos parceiros de composição regional, os grupos romperam alianças e hoje travam uma guerra aberta marcada por acusações de uso de poder político e institucional sobre os municípios do estado.

O confronto carrega um longo histórico de ocupação da máquina pública federal por ambas as famílias. A trajetória dos Vital do Rêgo começou a ganhar fôlego em 2004, com a eleição de Veneziano à prefeitura de Campina Grande, seguida pela ascensão de seu irmão à Câmara e ao Senado. Vital do Rêgo Filho esteve alinhado às gestões petistas, atuando como palanque para Dilma Rousseff em 2014, antes de ser indicado ao TCU após o processo de impeachment. Por sua vez, Hugo Motta ganhou notoriedade nacional em 2015, ao presidir a CPI da Petrobras, colegiado cujo relatório final não indiciou figuras de ponta como Lula e Dilma e afastou teses de corrupção institucionalizada, consolidando sua capacidade de articulação nos bastidores de Brasília.

Disputa pelo controle das prefeituras paraibanas

Na medição de forças pelo interior do estado, a balança tem pendido expressivamente a favor do clã de Hugo Motta. Em um universo de 223 prefeituras paraibanas, o grupo de Nabor Wanderley ampliou seu domínio de forma contínua: os levantamentos regionais apontavam 138 gestores aliados em abril, subindo para 158 em julho e alcançando 162 em agosto. Em setembro, estimativas já indicavam a adesão de cerca de 180 prefeitos — o que representa aproximadamente 80% do total de municípios do estado. Essa ampla vantagem é impulsionada pela articulação de Motta no comando da Câmara, com influência sobre emendas parlamentares e obras, além de contar com a retaguarda do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), cuja irmã, senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB), figura como suplente de Nabor.

Diante do avanço do adversário, o clima eleitoral descambou para ataques contundentes e pressões diretas. Hugo Motta veio a público acusar Veneziano de recorrer ao peso institucional do irmão no TCU para intimidar mandatários locais: “Veneziano usa a influência do irmão que é presidente do Tribunal de Contas para chantagear prefeitos, para coagir prefeitos, para obrigar a votar nele por medo”, afirmou o deputado em entrevista. O atrito também se manifesta em vetos presenciais: comícios no sertão paraibano passaram a ser condicionados à exclusão do senador emedebista dos palanques conjuntos, evidenciando o racha definitivo entre famílias que, em 2023, ainda atuavam juntas em projetos locais, como a reforma do Aeroporto de Patos.

Próximos passos e indefinições na corrida

Apesar da intensa polarização regional, o que ainda não está plenamente esclarecido é se as declarações sobre pressões indevidas resultarão em denúncias formais nos órgãos de controle ou se permanecerão apenas na retórica eleitoral. Além disso, resta saber até que ponto a hegemonia de prefeitos declarados a favor de Nabor Wanderley se converterá integralmente em votos nas urnas, já que o eleitorado paraibano historicamente apresenta dinâmica própria nas disputas majoritárias, independentemente dos acordos de cúpula firmados nos gabinetes.

O que está em jogo: A disputa define não apenas a representação da Paraíba no Senado, mas o equilíbrio de forças entre a cúpula da Câmara dos Deputados e a presidência do TCU. Na prática, o resultado medirá o peso das emendas federais articuladas por Hugo Motta contra o capital tradicional dos Vital do Rêgo, devendo o eleitor observar a capacidade de Nabor Wanderley em converter os cerca de 180 apoios municipais em vitória nas urnas.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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