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Operação da PF mira vice de Eduardo Paes e expõe esquema de lavagem de dinheiro no RJ

A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Anáfora, tendo como alvo a irmã do ex-deputado Washington Reis, Jane Reis, pré-candidata a vice-governadora na chapa de Eduardo Paes. A investigação apura crimes de lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa.

Por Redação Ponto FixoPublicado 30/06/2026 às 15h04· 3 min de leitura
Operação da PF mira vice de Eduardo Paes e expõe esquema de lavagem de dinheiro no RJ
Foto: Reprodução/Youtube/Canal Eduardo Paes

A Polícia Federal (PF) cumpre mandados de busca e apreensão nesta terça-feira, dia 30, contra o ex-deputado Washington Reis (MDB) e sua irmã, Jane Reis (MDB), pré-candidata a vice-governadora na chapa de Eduardo Paes (PSD). A ação marca a segunda etapa da Operação Anáfora, que visa desvendar um complexo esquema de lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa.

As investigações apontam que os envolvidos ocultavam bens em nome de terceiros, realizavam gastos incompatíveis com a renda declarada e fechavam negócios imobiliários suspeitos. A primeira fase da operação já havia ocorrido em 2022, quando Washington Reis enfrentava problemas na Justiça que o impediram de ser vice na chapa de Cláudio Castro (PL).

Um dos focos da PF é a empresa Laticínio Vale Carioca, suspeita de ser utilizada para ocultar recursos do ex-deputado. Outra frente da investigação mira pessoas ligadas ao empresário Mario Peixoto. Embora não tenham sido realizadas buscas no endereço de Jane Reis, sua atuação na WR Participações, empresa imobiliária da família, está sob análise. A Justiça expediu 14 mandados de busca e apreensão, sendo quatro deles do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, devido ao período em que Washington Reis atuou como secretário de Estado.

Washington Reis, por sua vez, emitiu uma nota negando qualquer vínculo com o laticínio e afirmando que as empresas alvo da operação não pertencem à sua família. Ele ressaltou que a WR Participações, com 18 anos de mercado, nunca utilizou dinheiro vivo em suas transações. O advogado de Mario Peixoto, Alexandre Lopes, criticou a operação, alegando que a medida é ilegal por usar fatos de 2020 para justificar buscas em 2026, embora a data referida na fonte seja 2026 e a ação ocorra em 2024.

Histórico de transações imobiliárias da família Reis já havia levantado suspeitas no passado. Em 2022, reportagem da Folha de S.Paulo revelou que a WR Participações adquiriu um terreno por R$ 120 mil em Duque de Caxias, revendendo-o sete meses depois por R$ 1,3 milhão, um lucro expressivo de 983%. O valor inicial da compra foi considerado muito abaixo do esperado, especialmente porque o governo do Estado havia avaliado a área em quase R$ 1 milhão dois anos antes para uma desapropriação que foi cancelada. À época, Washington Reis justificou o lucro pela sua “habilidade com o mercado” e a capacidade de reconhecer “boas oportunidades” na região. A família Reis tem forte influência política em Duque de Caxias, o segundo maior colégio eleitoral do Rio de Janeiro, o que adiciona uma camada de complexidade e interesse público à investigação.

O que está em jogo: A Operação Anáfora expõe possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no cenário político do Rio de Janeiro, impactando a imagem da chapa de Eduardo Paes e levantando questões sobre a probidade de figuras políticas influentes em um dos maiores colégios eleitorais do estado.

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