Em meio a embates sobre o legado da Lava Jato, Sergio Moro e Deltan Dallagnol respondem a críticas de Lula enquanto o ex-juiz consolida liderança nas pesquisas ao governo paranaense.

O cenário político nacional voltou a registrar forte atrito entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os principais nomes ligados à Operação Lava Jato. Pelas redes sociais, o ex-juiz federal, senador e candidato ao governo do Paraná Sergio Moro (PL) respondeu de maneira contundente às declarações feitas pelo petista durante sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, ocorrida na quinta-feira, 27. Moro classificou o mandatário como “transtornado”, “rancoroso” e “mentiroso”, repudiando as investidas contra o trabalho desempenhado na magistratura.
Durante a entrevista televisiva, Lula voltou a atacar a condução dos processos anticorrupção em Curitiba e alegou que os meios de comunicação teriam construído uma figura negativa ao seu respeito. Em suas palavras, a imprensa teria “produzido um monstro chamado Moro, chamado Dallagnol”, sustentando ainda que sua prisão teve o propósito de comprovar que ambos seriam mentirosos. Em contrapartida, Moro afirmou em outra postagem que a manifestação do presidente representou um “tapa na cara dos brasileiros e brasileiras que trabalham e são honestos”, mantendo a postura de enfrentamento direto ao discurso do petista.
O embate também contou com o posicionamento firme do ex-procurador da República Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Paraná pelo partido Novo. Dallagnol rebateu as afirmações de Lula declarando que não pedirá desculpas pela atuação nas investigações que resultaram na prisão do líder petista. O candidato afirmou expressamente: “Monstro é quem roubou o povo e depois tenta apagar os fatos”, complementando que dedicou sua trajetória profissional a colocar infratores da lei na cadeia.
A troca de acusações se desenrola em um momento de consolidação de Moro no cenário eleitoral paranaense. Conforme pesquisa da Quaest divulgada em 24 de agosto, o candidato do PL lidera as intenções de voto com 37%, seguido por Requião Filho (PDT), com 21%, e Sandro Alex (PSD), com 15%. Já no levantamento da Real Time Big Data, publicado na sexta-feira, 28, com 1.600 eleitores ouvidos entre 24 e 27 de agosto e margem de erro de dois pontos percentuais, Moro manteve a dianteira isolada com 35% da preferência do eleitorado.
A trajetória jurídica e política que cerca o caso remonta a 2017, quando Moro condenou Lula no processo relativo ao triplex do Guarujá, decisão que foi posteriormente confirmada em segunda instância e culminou na detenção do ex-presidente em abril de 2018. Anos depois, em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações sob a justificativa de incompetência territorial da Justiça Federal de Curitiba, restaurando os direitos políticos de Lula, e posteriormente declarou a parcialidade do magistrado em atos como a condução coercitiva em 2016 e a divulgação de áudios com a ex-presidente Dilma Rousseff. Moro deixou a toga após 22 anos de magistratura para assumir o Ministério da Justiça no governo Jair Bolsonaro, de onde saiu em abril de 2020; foi eleito senador em 2022 pelo União Brasil e transferiu-se para o PL em 2026 para a corrida estadual.
O que esta em jogo: A persistência da polarização em torno da Operação Lava Jato demonstra que o debate sobre integridade pública, combate à corrupção e segurança jurídica continua no centro da política brasileira. Para o eleitorado conservador e focado em valores éticos, a manutenção da memória dos fatos apurados no passado serve como contraponto à narrativa de reabilitação política, influenciando diretamente as disputas regionais estratégicas, como a sucessão no Paraná.
Com informacoes de revistaoeste.com.