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Inadimplência atinge recorde de 4,9% no Brasil mesmo com programa Desenrola

Dados do Banco Central apontam novo pico no calote financeiro em julho, pressionado principalmente pelo endividamento das famílias.

Por Redação Ponto FixoPublicado 28/08/2026 às 12h02· 3 min de leitura
Inadimplência atinge recorde de 4,9% no Brasil mesmo com programa Desenrola
Foto: Divulgação

A inadimplência no Sistema Financeiro Nacional alcançou a marca histórica de 4,9% em julho, estabelecendo um novo recorde nas estatísticas oficiais do Banco Central, divulgadas em 28 de agosto de 2026. O indicador geral apresentou um avanço de 0,3 ponto porcentual no confronto mensal e uma elevação de 0,9 ponto porcentual no acumulado de 12 meses. O agravamento do quadro ocorre a despeito das iniciativas governamentais para renegociação de débitos, expondo as dificuldades estruturais que afetam a renda e a capacidade de pagamento da população.

O descompasso financeiro atinge com maior intensidade as famílias brasileiras. Entre os consumidores, a taxa de inadimplência saltou para 5,8%, o que representa um acréscimo de 0,4 ponto porcentual frente ao mês anterior e um crescimento de 1,1 ponto porcentual em comparação ao mesmo período de 2025. No segmento corporativo, os atrasos também apresentaram ligeira alta, fixando-se em 3,3%, após avançar 0,1 ponto no mês e 0,5 ponto porcentual em 12 meses. Nas operações de crédito livre — aquelas sem subsídios governamentais —, a inadimplência média foi a 6,4%, puxada pelos 7,8% registrados nas pessoas físicas e 4,2% nas pessoas jurídicas.

O novo pico de atrasos acontece em meio à vigência do programa Desenrola Brasil, lançado em maio com a finalidade declarada de facilitar acordos e aliviar o endividamento doméstico. Contudo, após dois meses de operação, os dados indicam que medidas paliativas de renegociação encontram limites diante da contínua expansão das concessões financeiras. O estoque total de crédito no país expandiu 0,3% em julho, totalizando R$ 7,4 trilhões. O ritmo foi impulsionado pelas pessoas físicas, cujo montante subiu 0,8% no mês, para R$ 4,6 trilhões, enquanto o crédito corporativo encolheu 0,7%, somando R$ 2,7 trilhões.

A dinâmica dos juros também reflete pressões persistentes sobre o tomador final. Embora a taxa média de juros das novas concessões tenha recuado 1,2 ponto porcentual no mês, ficando em 32,1% ao ano em julho, o índice permanece 0,3 ponto acima do verificado 12 meses antes. No crédito livre para pessoas físicas, mesmo com a retração mensal de 3,9 pontos porcentuais, os juros médios atingem o expressivo patamar de 60% ao ano — 1,6 ponto porcentual mais alto do que há um ano. Para o setor empresarial, o custo do crédito livre avançou 1,1 ponto no mês, alcançando 25,4% anuais.

O endividamento das famílias atingiu 49,8% em junho, mantendo estabilidade relativa frente a maio, mas acumulando alta de um ponto porcentual em 12 meses. Mais preocupante ainda é a fatia do orçamento comprometida com o serviço da dívida: o comprometimento da renda subiu para 28,9%, um acréscimo de 0,4 ponto porcentual no mês e expressivos 1,7 ponto em relação a junho do ano anterior, drenando recursos que poderiam alimentar a poupança e o investimento produtivo.

O que esta em jogo: A escalada da inadimplência demonstra que programas estatais de alívio temporário não substituem a solidez dos fundamentos econômicos e a disciplina fiscal. O comprometimento crescente da renda familiar reduz a autonomia financeira dos indivíduos e gera dependência de linhas de crédito cada vez mais caras. Sem estabilidade monetária, controle de despesas públicas e produtividade real, o endividamento continuará a pressionar o orçamento das famílias, limitando a livre iniciativa e o crescimento econômico sustentável.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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