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Lula alerta para avanço do crime organizado com nova ponte na Bahia de R$ 11,6 bilhões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou preocupação de que a Ponte Salvador-Ilha de Itaparica, orçada em R$ 11,6 bilhões, possa atrair o crime organizado e a especulação imobiliária para a região, apesar do esperado desenvolvimento econômico.

Por Redação Ponto FixoPublicado 02/07/2026 às 19h03· 3 min de leitura
Lula alerta para avanço do crime organizado com nova ponte na Bahia de R$ 11,6 bilhões
Foto: Agência Brasil/EBC

A construção da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica, um dos grandes projetos de infraestrutura do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foi oficialmente iniciada nesta quarta-feira, 1º, em Vera Cruz, Bahia. No entanto, o evento foi marcado por uma declaração surpreendente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao lado da promessa de desenvolvimento e geração de empregos, alertou para os riscos de a obra abrir as portas para o crime organizado e a especulação imobiliária na região.

Com um investimento estimado em R$ 11,6 bilhões, bancados com recursos públicos, a ponte é vista como um catalisador para a economia de cerca de 250 municípios baianos, prometendo impulsionar o turismo e a logística. Contudo, Lula sublinhou a necessidade de uma vigilância rigorosa para que o progresso não venha acompanhado de problemas sociais. “Daqui a pouco entra tudo que é tipo de gente aqui”, disse o presidente, em um tom de preocupação. “Junto com o emprego vem o bandido, o crime organizado e a especulação imobiliária. E a vida de vocês, ao invés de ficar tranquila, vira um inferno. Cuidar do povo significa também cuidar da paz.”

A preocupação do presidente reflete um desafio comum em grandes projetos de infraestrutura: como garantir que o desenvolvimento econômico seja inclusivo e não gere efeitos colaterais negativos, como o aumento da criminalidade e a descaracterização de comunidades locais. A Ilha de Itaparica, elogiada por Lula por sua tranquilidade e por não ter sido tomada pela criminalidade das grandes cidades, representa um microcosmo desse dilema. O presidente chegou a brincar que gostaria de morar no local, demonstrando o apreço pela paz que ainda prevalece na ilha.

A ponte, que visa reduzir significativamente o tempo de deslocamento entre Salvador e o sul da Bahia, é um marco para a região. O governo federal prevê a criação de milhares de empregos diretos e indiretos, dinamizando setores como o comércio, serviços e o próprio turismo. Contudo, as palavras de Lula servem como um lembrete de que o progresso material deve ser acompanhado de políticas públicas robustas para salvaguardar a segurança e a qualidade de vida dos moradores, preservando a identidade cultural e ambiental da ilha.

Este alerta do presidente é um reconhecimento tácito de que o crescimento econômico desordenado pode ter um custo social elevado. A discussão sobre a segurança pública e o controle da especulação imobiliária se torna central para que os benefícios da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica sejam amplamente distribuídos e não resultem na perda da “tranquilidade de morar em uma ilha pacífica”, como destacado pelo próprio Lula.

O que está em jogo: A declaração de Lula ressalta a complexa balança entre o desenvolvimento econômico impulsionado por grandes obras e os riscos sociais intrínsecos, como o avanço da criminalidade e a especulação, exigindo planos de segurança e desenvolvimento urbano que acompanhem a infraestrutura para proteger as comunidades locais.

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