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Senador Jaques Wagner é vaiado em desfile do 2 de Julho em meio a investigações da PF por propina

O senador Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo de protestos em Salvador durante o desfile do 2 de Julho, com manifestantes exibindo cartazes que o ligavam a investigações sobre suposto recebimento de vantagens indevidas da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de propina envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Por Redação Ponto FixoPublicado 02/07/2026 às 19h02· 2 min de leitura
Senador Jaques Wagner é vaiado em desfile do 2 de Julho em meio a investigações da PF por propina
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

O senador Jaques Wagner (PT-BA) foi recebido com vaias durante sua chegada ao desfile do 2 de Julho em Salvador, na última quinta-feira. Manifestantes portavam cartazes com a frase ‘Jaques Master’, exibindo uma foto do parlamentar ao lado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em uma clara referência às recentes investigações que ligam o petista a um suposto esquema de propinas.

As manifestações ocorrem em um momento delicado para o senador, dias após a Polícia Federal (PF) ter realizado buscas em endereços a ele vinculados. As investigações fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura um complexo esquema de vantagens indevidas e pagamentos de propina envolvendo Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e figuras políticas de alto escalão, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Deflagrada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero teve início a partir de uma solicitação do Ministério Público Federal e inicialmente focou na emissão de Certificados de Depósito Bancário com rentabilidades atípicas e sem lastro adequado. A primeira fase da operação resultou na prisão de Daniel Vorcaro, Augusto Lima (ex-sócio do Banco Master) e outros seis investigados, além do bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens e ativos financeiros do grupo. Ao longo de nove fases, a investigação se expandiu para incluir suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos.

A nona fase da operação, realizada em junho, trouxe as buscas nos endereços de Wagner. Segundo a PF, há indícios de que o senador teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões de Augusto Lima. A corporação também investiga se Wagner teria agido para favorecer o Banco Master na tramitação de uma emenda legislativa ligada ao Fundo Garantidor de Créditos, apelidada de ‘Emenda Master’. O senador confirmou sua relação de amizade com Augusto Lima e admitiu ter utilizado jatinhos particulares do empresário para deslocamentos pessoais, mas sua defesa nega qualquer atuação em favor do Banco Master e afirma que a amizade não se confunde com os negócios da instituição. Wagner inclusive deixou o cargo de líder do governo no Senado para dedicar-se à sua defesa jurídica, e o caso tramita sob segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal.

O que está em jogo: A situação de Jaques Wagner, um nome influente do Partido dos Trabalhadores, é um indicativo da crescente pressão sobre figuras políticas envolvidas em escândalos de corrupção, demonstrando que a insatisfação popular e as investigações da Polícia Federal continuam a moldar o cenário político, com potenciais impactos em futuras eleições e na credibilidade dos partidos.

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