Negociação comercial entre Brasil e EUA segue sem prazo definido para novo texto após Washington aplicar sobretaxas que atingem 37,5%.

As tratativas bilaterais para solucionar o impasse comercial entre Brasília e Washington esbarraram em nova indefinição diplomática. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, declarou na quinta-feira 1º que não existe um cronograma fixado para a entrega de uma nova minuta de acordo tarifário ao governo brasileiro. A posição foi externada logo após um encontro presencial em Milwaukee, durante a reunião ministerial de Comércio do G20, com os ministros brasileiros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).
Eleições e divergências emperram cronograma
Segundo Greer, as autoridades norte-americanas já apresentaram diversas alternativas e rascunhos de medidas cabíveis, mas o calendário eleitoral brasileiro impõe entraves objetivos à condução das conversas. Na avaliação de Washington, o período de disputas políticas tende a restringir a margem de manobra e a flexibilidade dos negociadores do Brasil, sugerindo que qualquer avanço substancial deva ocorrer apenas após a conclusão do pleito. Em contrapartida, o ministro Márcio Elias Rosa declarou esperar que a proposta formal norte-americana seja remetida em um horizonte de três a quatro semanas, possivelmente após o segundo turno das eleições.
O atrito tarifário atual é resultado direto de medidas protecionistas adotadas pela Casa Branca em julho, quando os Estados Unidos impuseram duas sobretaxas consecutivas a mercadorias de origem brasileira, fixadas em 25% e 12,5%. Ao se somarem, essas alíquotas elevaram o custo tarifário combinado para patamares severos de até 37,5%, encarecendo de forma punitiva os produtos nacionais no mercado americano. Embora o diálogo tenha sido retomado por videoconferência em 31 de agosto, o Executivo brasileiro segue contestando formalmente as justificativas técnicas e econômicas utilizadas pelos EUA para embasar o tarifaço.
Pontos sensíveis e grupo de trabalho
No centro do debate sobre quem mais perde com o arranjo, a indústria exportadora e os produtores brasileiros continuam suportando a barreira alfandegária elevada de 37,5% sem uma perspectiva imediata de alívio fiscal. Por outro lado, Washington utiliza a pressão econômica para forçar concessões e manter a proteção aos seus setores internos. Durante os encontros, as partes concordaram na estruturação de um grupo de trabalho focado em analisar tanto barreiras tarifárias quanto não tarifárias, abrindo espaço para um eventual tratado de comércio mais amplo no futuro.
Apesar da sinalização de um diálogo classificado como construtivo por Jamieson Greer, permanecem lacunas expressivas sobre o escopo real das exigências norte-americanas. Questionado diretamente se exigências envolvendo o sistema de pagamentos Pix ou compromissos sobre desmatamento seriam retirados da mesa de negociações, o representante comercial dos EUA evitou responder, limitando-se a afirmar que ambos os países concordaram em seguir cooperando acerca das investigações comerciais em curso conduzidas por Washington.
O que está em jogo: os exportadores brasileiros continuam submetidos à tarifa combinada de até 37,5% no mercado norte-americano enquanto o grupo de trabalho não formaliza uma proposta de redução. Resta acompanhar se o gabinete de Jamieson Greer de fato encaminhará a nova minuta nas próximas três a quatro semanas e se temas regulatórios, como o Pix, serão mantidos como moeda de troca pelo governo americano.
Com informacoes de revistaoeste.com.