Levantamento do Ranking dos Políticos mapeou a cobertura institucional de quatro grandes jornais brasileiros entre 2023 e 2026.

Um amplo mapeamento conduzido pelo Ranking dos Políticos revelou uma sensível transformação na postura editorial dos principais veículos da imprensa tradicional brasileira em relação aos rumos do Poder Executivo e do Supremo Tribunal Federal (STF). A pesquisa analisou cerca de 2 mil editoriais publicados entre janeiro de 2023 e o término do primeiro semestre de 2026 nos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo e Gazeta do Povo, demonstrando que o desgaste institucional e as diretrizes adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva resultaram em um expressivo endurecimento nas avaliações institucionais dos órgãos de imprensa.
Entre os jornais analisados, a Gazeta do Povo registrou os índices mais contundentes de desaprovação às medidas governamentais e às decisões da Suprema Corte. A proporção de posicionamentos desfavoráveis a Lula oscilou de 84% em 2023 para 94% na média dos primeiros seis meses de 2026, atingindo a marca de 100% de oposição no decorrer de 2024. Já a avaliação institucional do STF manteve-se invariavelmente acima de 95% de desaprovação, alcançando a totalidade de 100% de textos críticos no primeiro semestre de 2026. A postura firme reflete o ceticismo em relação ao ativismo judicial e às políticas intervencionistas na economia.
O levantamento apontou movimentação semelhante nas páginas de O Estado de S. Paulo, veículo no qual a taxa de editoriais contrários à gestão petista disparou de 76% em 2023 para expressivos 95% no início de 2026 — um salto próximo a 20 pontos porcentuais. Paralelamente, o tribunal constitucional também foi alvo de constante escrutínio no jornal paulistano, sustentando taxas de reprovação de 90% em 2024, 81% em 2025 e 91% na primeira metade de 2026. As decisões monocráticas do ministro Alexandre de Moraes e a condução de temas sensíveis, como o caso do Banco Master, figuraram com frequência no rol das contestações formuladas pelos analistas.
Em contraste com a severidade de Estadão e Gazeta, Folha de S.Paulo e O Globo mantiveram posicionamentos mais amenos, sobretudo no tocante à Corte Suprema. Na Folha, os editoriais desfavoráveis ao presidente subiram de 66,5% em 2023 para 79,5% em 2026, enquanto a reprovação ao STF passou de 46% em 2025 para 61% em 2026. Por sua vez, O Globo despontou com significativa simpatia aos atos do tribunal, alcançando 57% de avaliações favoráveis em 2025 e 46% no primeiro semestre de 2026, muito embora o jornal carioca tenha mantido forte oposição à conduta fiscal e econômica de Lula, registrando 89% de críticas no semestre mais recente.
O diretor de operações da entidade responsável pelo estudo, Luan Sperandio, ressaltou que a iniciativa teve por objetivo substituir impressões genéricas por dados empíricos estruturados ao longo de três anos e meio, mapeando com clareza o atrito entre imprensa e poder. Entre os temas que mais suscitaram repreensões figuraram a política fiscal, os rumos econômicos marcados pela expansão de gastos, a utilização da máquina estatal para fins eleitorais e a condução da diplomacia internacional. Exceção digna de nota ocorreu na mediação de tensões externas, a exemplo do trato das relações bilaterais com Donald Trump, momento em que veículos como Folha, Estadão e O Globo emitiram pareceres positivos.
O que esta em jogo: A deterioração do apoio nos editoriais de grandes publicações demonstra como o descompasso fiscal, o intervencionismo e a escalada de decisões judiciais monocráticas corroem o consenso até mesmo entre parcelas moderadas da opinião pública. A liberdade de imprensa e o debate transparente sobre a responsabilidade orçamentária e a separação dos poderes continuam sendo pilares indispensáveis para a estabilidade da República, a segurança jurídica dos investimentos e a salvaguarda das garantias constitucionais dos cidadãos.
Com informacoes de revistaoeste.com.