Rebeca Ramagem, procuradora de Roraima e esposa do ex-deputado Alexandre Ramagem, solicita licença do cargo para se candidatar às eleições, residindo na Flórida e se declarando 'exilada política'.

Rebeca Ramagem, esposa do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), protocolou pedido de licença do seu cargo de procuradora do Estado de Roraima. A medida visa cumprir o prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral para que servidores públicos possam concorrer nas eleições deste ano. Embora o cargo específico a ser disputado não tenha sido detalhado no requerimento, sua ficha de filiação ao PL do Rio de Janeiro, datada de março de 2022, foi anexada ao pedido.
A situação de Rebeca é peculiar, uma vez que ela reside no Estado norte-americano da Flórida desde o final de 2025, apresentando-se em suas redes sociais como “exilada política”. Sua mudança para os Estados Unidos ocorreu em sintonia com a ida de seu marido, Alexandre Ramagem, para o mesmo país em setembro, período que coincidiu com sua condenação a 16 anos de prisão por suposta participação em uma tentativa de golpe. Este contexto confere um caráter político e de oposição à sua pré-candidatura, marcando uma possível disputa eleitoral com forte apelo ideológico e de defesa da liberdade.
Desde que se estabeleceu nos EUA, Rebeca Ramagem tem alternado períodos de férias, prorrogações e licenças, resultando em mais de sete meses sem o exercício efetivo de suas funções. Atualmente, ela usufrui de uma licença-prêmio por assiduidade, concedida em março de 2026 e válida até 7 de julho, referente ao período de 2020 a 2025. A Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR) confirmou o encerramento da licença-prêmio. É importante notar que, apesar de estar lotada na Coordenadoria da PGE-RR em Brasília, ela não recebe salário desde dezembro de 2025, quando o pagamento foi suspenso por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
A viabilidade jurídica da candidatura de Rebeca Ramagem, especialmente para uma vaga na Câmara dos Deputados, ainda está sob análise, conforme afirmou Bruno Bonetti, presidente do PL na capital fluminense. Ele, contudo, enxerga a procuradora como um “nome excepcional”. Um despacho do Departamento de Recursos Humanos da PGE-RR, datado de 30 de junho, registra que Rebeca está “quite com a Justiça Eleitoral e não possui registro de condenação criminal eleitoral transitada em julgado”, o que é um requisito fundamental para a elegibilidade.
A decisão de Rebeca de se lançar na política brasileira, mesmo residindo nos Estados Unidos e em meio às questões legais de seu marido, sinaliza uma tentativa de fortalecer a presença do espectro conservador nas próximas eleições. A remuneração mensal de aproximadamente R$ 46 mil, indicada pelo Portal da Transparência, sublinha a relevância do cargo que ela ocupava, mas a ausência de salário desde 2025 adiciona outra camada à sua situação financeira e profissional enquanto “exilada política”, o que pode ser explorado tanto por apoiadores quanto por adversários na campanha.
O que está em jogo: A candidatura de Rebeca Ramagem pode testar os limites da elegibilidade de brasileiros no exterior e dar voz a uma parcela do eleitorado que se identifica com pautas conservadoras e com a narrativa de perseguição política, em um cenário de intensas disputas ideológicas.
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