Presidente do Senado rebateu críticas de Flávio Bolsonaro sobre atuação do STF e acusou o parlamentar de focar em redes sociais para a eleição.

O clima de tensão institucional e política no Senado Federal ganhou novos contornos após o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), subir à tribuna para rebater duramente manifestações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O entrevero ocorre em meio à pressão contínua de parlamentares oposicionistas pela abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tema que tem pautado debates acalorados sobre o equilíbrio de poderes no país.
Durante a sessão plenária de quinta-feira, 3, Alcolumbre proferiu críticas contundentes à postura do colega de Parlamento, que figura como candidato à Presidência da República. Sem citar o nome de Flávio de forma direta em certos trechos, o presidente do Senado acusou o parlamentar de utilizar o mandato e a estrutura de redes sociais apenas para inflamar debates eleitorais. “Se eu não fosse senador da República, presidente do Senado Federal, ou se eu fosse só mais um senador, colega de vocês, eu ia falar muita coisa naquele microfone”, declarou Alcolumbre, criticando a produção de vídeos para a internet com fins eleitoreiros.
A reação do presidente do Senado se deu logo após Flávio Bolsonaro discursar na tribuna, na sessão de quarta-feira, 2, exigindo a tramitação de pedidos de impedimento contra o ministro Alexandre de Moraes, além de criticar a inação da cúpula da Casa legislativa. Na ocasião, Alcolumbre assumiu a defesa do magistrado do STF e desdenhou da estratégia do senador do PL: “Ele bota ali a rede socialzinha dele filmando o rostinho dele, ofendendo outro colega senador, que é presidente do Congresso. E aquilo ele já distribui no mundo e diz: ‘Agora, no programa eleitoral, vamos ver muito isso. Vote em mim porque eu tive coragem de agredir e ofender o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre’”.
Alcolumbre também questionou o conteúdo das propostas da oposição para a disputa ao Palácio do Planalto, afirmando que os embates não deveriam descambar para o que chamou de ataques pessoais. “Eu gostaria de ver uma proposta do que é que ele pensa para o futuro da educação do Brasil. Não. Não tem proposta para o Brasil, tem proposta para eleição”, pontuou o senador pelo Amapá, que também se queixou de Flávio não tê-lo procurado pessoalmente para conversar após a troca de farpas no plenário.
O que esta em jogo: A disputa entre a presidência do Senado e a ala conservadora reflete o desgaste profundo em torno das prerrogativas constitucionais de fiscalização do Judiciário. Ao mesmo tempo em que a base oposicionista busca dar respostas ao seu eleitorado exigindo freios a decisões do Supremo Tribunal Federal, o comando do Congresso tenta blindar as cortes superiores para evitar rupturas de relacionamento entre os Poderes, transformando a pauta de impeachment de ministros em um dos principais combustíveis do debate eleitoral brasileiro.
Com informacoes de revistaoeste.com.