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Comando Vermelho domina garimpo ilegal em terra indígena de MT e usa ouro para financiar o tráfico

Investigações da Polícia Federal revelam que a facção criminosa Comando Vermelho assumiu o controle do garimpo Cururu, na Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso, utilizando o ouro para financiar o tráfico de drogas e a aquisição de armamentos.

Por Redação Ponto FixoPublicado 29/06/2026 às 13h04· 2 min de leitura
Comando Vermelho domina garimpo ilegal em terra indígena de MT e usa ouro para financiar o tráfico
Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Federal (PF) revelou que o Comando Vermelho (CV) consolidou seu domínio sobre o Garimpo Cururu, um dos principais focos de extração ilegal de ouro na Terra Indígena Sararé, localizada no oeste do Mato Grosso. A facção, que inicialmente oferecia segurança armada aos garimpeiros, agora administra áreas de mineração clandestina, convertendo o ouro em uma robusta fonte de financiamento para suas operações de tráfico de drogas e compra de armamentos.

Essa escalada da atuação criminosa em território indígena representa uma ameaça grave não apenas à soberania nacional e ao meio ambiente, mas também à segurança e aos direitos das populações indígenas. A estratégia do Comando Vermelho é de uso de túneis de mineração como esconderijos para armas e munições, além de escoltar máquinas com homens fortemente armados, evidenciando uma estrutura paramilitar dentro da terra indígena.

A presença da facção, conforme as investigações, começou a se fortalecer em 2023, marcando uma transição de provedores de ‘segurança’ para gestores da atividade ilegal. O ouro extraído é utilizado como moeda de troca, encaminhado a países vizinhos para ser trocado por entorpecentes ou armamentos, alimentando um ciclo vicioso de crime e violência que transcende as fronteiras do garimpo.

Em resposta a essa situação alarmante, uma força-tarefa coordenada pela Casa Civil foi estabelecida em março, congregando diversos órgãos federais para combater o garimpo ilegal e a crescente influência do crime organizado na região. As operações já resultaram na apreensão de mais de 42 mil litros de óleo diesel, 153 quilos de ouro, além da destruição de 33 túneis, quase quatro toneladas de explosivos e cerca de 200 acampamentos. Tais ações buscam desmantelar a infraestrutura que sustenta essa exploração criminosa.

A Terra Indígena Sararé, demarcada em 1985 e pertencente ao povo Nambikwara, abrange cerca de 67 mil hectares e é palco de 1.117 pontos de garimpo ilegal. A dimensão da invasão era tal que uma das áreas era conhecida como “vila”, dotada de bares, comércio e até farmácia. Desde o início da ofensiva, 72 pessoas foram presas e o prejuízo estimado ao garimpo ilegal ultrapassa os R$ 110 milhões, demonstrando a escala da atividade e o impacto das operações de combate.

O que está em jogo: A crescente dominação de terras indígenas por facções criminosas como o Comando Vermelho não só coloca em risco a vida dos povos originários e o patrimônio ambiental do país, mas também reforça a necessidade de estratégias de segurança mais robustas para proteger as fronteiras e as áreas de conservação, sob pena de ver o crime organizado expandir seu poder e desestabilizar ainda mais a região.

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