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“Alimentamos 1 bilhão”: especialistas cobram reação do agro contra desinformação e viés ideológico nas escolas

Durante evento em São Paulo, debatedores defendem que o agronegócio assuma a narrativa de sua própria pujança e combata narrativas distorcidas nos materiais escolares.

Por Redação Ponto FixoPublicado 29/08/2026 às 08h02· 3 min de leitura
“Alimentamos 1 bilhão”: especialistas cobram reação do agro contra desinformação e viés ideológico nas escolas
Foto: Reprodução

A necessidade de o setor produtivo rural assumir o protagonismo da sua própria narrativa e enfrentar narrativas ideológicas pautou as discussões da 4ª edição do Casa Agro, realizada em São Paulo. O evento, promovido pela Associação de Desenvolvimento, Inovação e Mercado do Agronegócio (Adimag), reuniu lideranças do setor, comunicadores e especialistas em educação para tratar dos gargalos de imagem enfrentados pelo agronegócio brasileiro, setor que sustenta parte expressiva do Produto Interno Bruto nacional e garante a segurança alimentar de centenas de milhões de pessoas pelo globo.

Durante os debates, mediado por Diogo Luchiari, sócio e vice-presidente de operações da Macfor, ressaltou-se que o setor não pode mais terceirizar sua representação nem se abster da batalha da informação. O jornalista Adalberto Piotto destacou que o campo nacional produz com altíssima excelência técnica, mas peca ao não comunicar seus feitos à sociedade com a devida assertividade. Piotto traçou um paralelo entre a relevância dos produtores rurais brasileiros e o Vale do Silício, ressaltando que o alimento produzido no país tem a mesma indispensabilidade que os avanços do maior polo tecnológico norte-americano.

O jornalista enfatizou a dimensão geopolítica alcançada pelo agronegócio: “Hoje, 1 bilhão de pessoas comem porque o Brasil produz comida”. Ele questionou a postura passiva com frequência atribuída ao produtor nas relações internacionais: “Aí vem a incompetência: por que eu tenho que achar que o produtor brasileiro depende da China e não a China que depende do produtor brasileiro? Quem no mundo hoje tem excedente de 800 milhões de pessoas? Ninguém”. Piotto defendeu coragem e munição factual para os defensores do setor: “Na comunicação, se você não entrar no embate, você vai perder. Se você não falar, aquele sujeito que quer te defender não vai ter argumento. Você precisa dar argumento para ele”.

O debate também se aprofundou nas distorções presentes nas salas de aula, apontadas como uma das principais fontes de preconceito contra a atividade agrícola. Letícia Jacintho, presidente da Associação De Olho no Material Escolar, entidade fundada em 2021 por famílias inconformadas com a doutrinação pedagógica, relatou que muitos livros didáticos reproduzem estereótipos infundados, acusando a produção rural exclusivamente de degradação ambiental e uso nocivo de defensivos. A especialista relatou que, ao levar representantes de uma editora a campo, os visitantes se chocaram com a modernização: “Eles falaram para mim: ‘Vim filmar o trabalho escravo e você me mostrou a Nasa’”.

Para frear conteúdos ideologizados e desprovidos de embasamento técnico, a entidade atuou diretamente no Congresso para aprovar regras que exigem rigor científico nos livros escolares. “Conseguimos colocar na lei que materiais didáticos devem ter evidências científicas. Não pode tirar da reportagem que ninguém nunca achou aquela pessoa, fazenda, escravo. Tem que trazer fonte científica”, frisou Letícia Jacintho, alertando que a mudança efetiva depende agora da fiscalização contínua e da integração de políticas públicas sérias.

O que esta em jogo: A batalha pela percepção pública do agronegócio vai muito além das fronteiras comerciais. Quando o setor mais eficiente da economia nacional é retratado de maneira distorcida nas escolas e nos grandes centros urbanos, abre-se espaço para uma insegurança regulatória e jurídica que enfraquece a soberania econômica e a liberdade de produzir. Garantir que a verdade dos fatos e o rigor científico prevaleçam sobre narrativas ideológicas é essencial para proteger a reputação internacional do Brasil e preservar o sustento das famílias que dedicam suas vidas ao campo.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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