Após quase três semanas de paralisação e 54 rodadas de negociação, o TST determinou o fim da greve na Caixa e fixou reajuste de 4,6%.

Após quase três semanas de portas fechadas e transtornos para a população que depende de serviços essenciais, as agências da Caixa Econômica Federal voltam a atender presencialmente em todo o país. O encerramento da paralisação nacional, deflagrada em 10 de setembro, ocorreu após intervenção direta da Justiça do Trabalho. Em julgamento de dissídio coletivo, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) considerou o movimento como não abusivo, mas determinou a volta imediata dos bancários aos postos sob pena de multa, pondo fim ao impasse que paralisava um dos principais braços operacionais de pagamentos e benefícios sociais do Brasil.
O tribunal arbitrou um reajuste salarial linear de 4,6%, índice que também será espelhado no custeio e nas taxas do plano de assistência médica dos empregados. A decisão judicial destrava um processo arrastado que envolveu nada menos que 54 rodadas de negociação direta entre a cúpula do banco estatal e os sindicatos. Três propostas formais haviam sido colocadas na mesa e sucessivamente recusadas pelas assembleias da categoria — a derradeira delas rejeitada em 21 de setembro —, demonstrando o esgotamento da via negocial privada e a necessidade do arbitramento legal.
Impasse sobre o plano de saúde
O grande pomo da discórdia que sustentou a greve por quase 20 dias não residia primordialmente no índice de correção salarial, mas nas regras do Saúde Caixa. Os bancários alegavam que as mudanças pretendidas pela instituição financeira corroeriam qualquer ganho nos vencimentos, impactando sobretudo mães chefes de família. A proposta rejeitada pela categoria previa reajustar o atendimento em pronto-socorro de R$ 75 para R$ 120 (um salto expressivo de 60%) e elevar as mensalidades de dependentes diretos em 16,7%, saindo do valor atual de R$ 480.
Com a sentença normativa conduzida pelo ministro-relator Maurício Godinho, manteve-se a estrutura basilar vigente: o trabalhador segue contribuindo com 3,5% sobre a remuneração-base, respeitando o teto de 7% de comprometimento salarial para a soma das mensalidades de titular e dependentes diretos. Já a coparticipação em pronto-socorro de R$ 75 sofre apenas a correção de 4,6% estipulada pelo tribunal, afastando o reajuste mais pesado desenhado pela administração do banco.
Impactos operacionais e futuro do custeio
Durante a paralisação, o cidadão comum e o microempreendedor foram os lados mais penalizados, enfrentando restrições no atendimento presencial mesmo com a manutenção forçada de 60% do contingente e o direcionamento para aplicativos e lotéricas. Por outro lado, a direção da Caixa tentava reformular o modelo de assistência para equilibrar contas futuras, propondo elevar de 6,5% para 9% o teto de participação do banco sobre a folha salarial a partir de 2027 e absorver déficits operacionais imediatos.
O desfecho imposto pelo TST, embora garanta a reabertura das agências, deixa lacunas sobre a sustentabilidade do convênio no longo prazo. Resta saber se o equilíbrio financeiro do plano de saúde exigirá novo aporte de recursos públicos ou se a gestão encontrará meios de conter despesas sem repassar custos extras aos trabalhadores nas próximas datas-bases, já que a discussão de fundo sobre o déficit atuarial não foi resolvida em definitivo pelo tribunal, apenas contida no dissídio deste ano.
O que está em jogo: a normalização imediata do atendimento presencial para milhões de correntistas e beneficiários nas agências da Caixa em todo o país, enquanto a folha do banco absorve o reajuste salarial de 4,6% e o plano de saúde mantém a cobrança de 3,5% do salário-base com teto de 7%.
Com informacoes de revistaoeste.com.