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Lula nega ser esquerdista em conversa vazada no G7, apesar de histórico com o Foro de São Paulo

Em cúpula na França, presidente afirma que "nunca" foi esquerdista, gerando estranhamento de diretora do FMI; declaração contrasta com falas anteriores sobre orgulho de ser chamado de comunista.

Por Redação Ponto FixoPublicado 17/06/2026 às 13h02· 2 min de leitura
Lula nega ser esquerdista em conversa vazada no G7, apesar de histórico com o Foro de São Paulo
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Durante a cúpula do G7 em Évian, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi gravado em uma conversa privada na qual declarou “nunca” ter sido esquerdista. A fala, capturada por um microfone aberto, ocorreu enquanto dialogava com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.

Lula argumentou que o “mundo não é de esquerda” e sim “do caminho do meio”, citando a predominância de republicanos nos Estados Unidos e o menor tempo de socialistas no poder na França. Kristalina Georgieva expressou a percepção internacional de que, em seu primeiro mandato, esperava-se que ele fosse esquerdista. Lula prontamente negou, ao que Georgieva respondeu que “essa era a imagem na época”.

O presidente associou sua trajetória política ao movimento sindical, mencionando boas relações com entidades trabalhistas na Alemanha, Itália e Espanha. Ele também relembrou ter sido tratado como “anticomunista” na Europa em 1980 por não participar de um congresso na então União Soviética, devido a uma condenação pela Lei de Segurança Nacional.

Esta não é a primeira vez que Lula nega publicamente sua identificação com a esquerda, especialmente em períodos eleitorais. Contudo, a declaração no G7 contrasta com uma afirmação feita em 2023, durante a abertura do 26º Encontro do Foro de São Paulo, em Brasília, onde ele declarou ser “motivo de orgulho” ser chamado de comunista, adicionando que “isso não nos ofende. Isso nos orgulha muitas vezes. E, muitas vezes, nós sabemos que merecemos isso.”

O que está em jogo: A constante redefinição da identidade ideológica de Lula, especialmente em contextos internacionais ou eleitorais, reflete uma estratégia de moderação para atrair diferentes espectros políticos, enquanto a memória de seu passado e falas mais recentes podem gerar interpretações divergentes sobre sua verdadeira posição.

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