Deputado estadual Caio Roberto (MDB-PB) entra na mira da Polícia Federal por suposta negociação eleitoral com a facção Nova Okaida.

A Polícia Federal abriu uma frente de apuração que atinge diretamente o centro do poder legislativo paraibano ao colocar sob suspeita o deputado estadual Caio Figueiredo Roberto (MDB), de 41 anos. O parlamentar é investigado por suposta negociação envolvendo candidaturas e a facção criminosa Nova Okaida, organização criminosa que atua no estado. O caso joga luz sobre as complexas e perigosas relações entre o crime organizado e a disputa eleitoral no Nordeste, um tema que desafia a segurança pública e a integridade das instituições democráticas.
Trajetória marcada pelo poder familiar
Natural de Campina Grande e residente em João Pessoa desde os 12 anos, Caio Roberto construiu toda a sua carreira política ancorado na influência familiar. Ele é filho do deputado federal Wellington Roberto, político experiente com assento ininterrupto na Câmara dos Deputados desde 2003. Seguindo a esteira do pai, Caio ingressou na vida pública disputando e vencendo a sua primeira eleição em 2010, mantendo-se como deputado estadual por quatro legislaturas consecutivas após reeleições em 2014, 2018 e 2022.
Ao longo de mais de uma década na Casa de Epitácio Pessoa, o parlamentar consolidou espaços de destaque e atualmente ocupa a 4ª vice-presidência da Assembleia Legislativa da Paraíba para o biênio 2025-2026, integrando a chapa liderada por Adriano Galdino (Republicanos). Na sua atuação recente, apresentou em fevereiro de 2025 um projeto de lei estadual para a criação de um cadastro de bloqueio voluntário contra jogos de azar on-line. Para o pleito de 2026, Caio Roberto formalizou nova candidatura ao mesmo cargo, agora filiado ao MDB, tendo registrado uma declaração de patrimônio de expressivos R$ 6,54 milhões perante a Justiça Eleitoral.
Investigação federal e lacunas do caso
O avanço das investigações traz impactos imediatos no xadrez político local. De um lado, a Polícia Federal e a sociedade cobram rigor contra a penetração do narcotráfico nas estruturas de representação popular; do outro, o grupo político da família Roberto vê sua hegemonia e reputação ameaçadas pelo escândalo. A gravidade das suspeitas exige respostas firmes das autoridades judiciais para evitar que estruturas ilícitas interfiram na soberania do voto e na ordem social.
Apesar do impacto das revelações, a apuração ainda mantém pontos em aberto. Não foram detalhados publicamente o teor exato das conversas ou acordos atribuídos ao deputado, quais contrapartidas teriam sido oferecidas à facção Nova Okaida ou se medidas cautelares mais severas serão requeridas ao Judiciário nos próximos passos do inquérito. A defesa do parlamentar também não teve posicionamentos tornados públicos no material inicial divulgado.
O que está em jogo: A continuidade política de Caio Roberto na Assembleia Legislativa da Paraíba e a validade de sua candidatura pelo MDB em 2026 dependem agora das conclusões da Polícia Federal e das eventuais denúncias do Ministério Público sobre as supostas negociações com a facção Nova Okaida.
Com informacoes de revistaoeste.com.