Encarregado de negócios da Ucrânia em Brasília denuncia destruição cultural promovida por Moscou durante exposição na Câmara Legislativa.

A ofensiva militar russa no Leste Europeu não visa apenas a conquista territorial, mas busca extinguir a identidade histórica da Ucrânia. O alerta foi emitido pelo encarregado de negócios da Embaixada da Ucrânia no Brasil, Oleg Vlasenko, durante o lançamento da exposição cultural “Puzzle da Unidade”, realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal, em Brasília. O diplomata denunciou a destruição sistemática de patrimônios e símbolos da soberania ucraniana.
Segundo Vlasenko, a investida de Moscou tenta desconstruir as raízes de um Estado que possui mais de mil anos de formação histórica documentada, refutando a narrativa russa de que a nacionalidade ucraniana existiria apenas a partir do colapso soviético em 1991. “A Rússia repetitivamente tenta quebrar o nosso Puzzle da Unidade, apagar a nossa nação do mapa, destruindo a cultura, mas o povo ucraniano demonstrou uma resiliência sem precedentes”, afirmou o representante diplomático.
Cultura como trincheira da soberania
A mostra apresentada na capital federal integra o calendário que marca os 35 anos da restauração da Independência da Ucrânia. O projeto reúne 20 peças representativas de diferentes regiões do país invadido, compondo um mapa geográfico contínuo. Cada módulo retrata ícones da tradição e inventividade locais, como a escritora Lesia Ukrainka, as tradicionais embarcações cossacas conhecidas como tchaikas, as cerâmicas de Kosiv e o Antonov An-225 Mriya, que era a maior aeronave de transporte de carga da aviação mundial.
O diplomata relembrou que a imensa aeronave cargueira foi destruída pelas tropas de Vladimir Putin logo nos primeiros dias da invasão em grande escala, no início de 2022. Contudo, destacou que o poder bélico do Kremlin não foi capaz de minar a determinação do povo ucraniano em defender suas fronteiras e legados. Para a diplomacia de Kiev, defender o patrimônio material e imaterial equivale a proteger as próprias linhas de defesa da pátria, frente a um agressor que ataca deliberadamente cidades e estruturas civis.
Batalha diplomática e lacunas na capital
A ofensiva de comunicação da embaixada em Brasília ocorre em um momento em que a Ucrânia tenta sensibilizar autoridades brasileiras e a opinião pública sobre a legitimidade de suas fronteiras pré-guerra. A exibição busca firmar no exterior a premissa inegociável de integridade de todo o território ucraniano. Por outro lado, permanece incerto se a ação cultural alcançará a diplomacia formal do Palácio do Itamaraty, que historicamente tem mantido postura de distanciamento e neutralidade no conflito com a Rússia.
O que está em jogo: A exposição na Câmara Legislativa do Distrito Federal intensifica a disputa narrativa em Brasília para pressionar o Congresso Nacional e o governo brasileiro a reconhecerem a soberania integral das 20 regiões representadas no mapa ucraniano, enquanto Moscou mantém o controle militar sobre províncias do leste e do sul. O próximo passo será observar se parlamentares federais e diplomatas do Itamaraty farão manifestações formais de apoio à Ucrânia ou se manterão a postura de equidistância diplomática em relação ao Kremlin.
Com informacoes de revistaoeste.com.