São Paulo recebe a 2ª edição do evento que celebra 10 anos de história unindo nove botecos paulistanos e cinco vinícolas portuguesas.

A valorização da culinária tradicional e o empreendedorismo gastronômico ganham destaque na capital paulista com a realização da segunda edição do Festival Cultura de Boteco – Vinhos de Boteco. O evento celebra uma trajetória de dez anos de iniciativas voltadas ao setor, reunindo nove estabelecimentos clássicos da gastronomia popular paulistana e cinco vinícolas portuguesas originárias da região de Lisboa. Organizado pela Sociedade Paulista de Cultura de Boteco (SPCB), o encontro ocorre no histórico Museu da Imigração, localizado na Mooca, bairro profundamente ligado às raízes do trabalho e da formação cultural da cidade.
A iniciativa consolida uma trajetória que começou em 2016 e que já soma 30 eventos organizados pela SPCB ao longo de uma década. Em termos de proporção, o festival realizou uma média de três encontros por ano, consolidando um mercado que transforma a informalidade dos balcões em um polo de geração de renda, preservação de receitas de família e intercâmbio econômico internacional. Ao aproximar os estabelecimentos locais da produção vinícola lusitana, o projeto fortalece os laços históricos entre o Brasil e Portugal, aplicando uma lógica de livre comércio cultural e gastronômico.
Herança cultural e conexão internacional
Segundo o jornalista Miguel Icassatti, criador do festival, o objetivo central é resgatar a naturalidade do consumo de vinho no cotidiano do cidadão comum, replicando a tradição portuguesa das tascas. Icassatti pontua que, “pelo segundo ano seguido, estamos trazendo para o público paulistano algo que é muito comum e faz parte da cultura gastronômica em Portugal, ou seja, o hábito de reunir os petiscos das tradicionais tascas com vinhos acessíveis e saborosos, sem muita cerimônia”. Essa dinâmica democratiza o acesso a produtos de qualidade sem as amarras do elitismo, beneficiando tanto os pequenos comerciantes paulistanos quanto os produtores de vinho estrangeiros que buscam expandir sua presença de mercado.
A parte técnica e educativa da programação conta com a sommelière Juliana Carani, profissional com passagens por casas de renome como Tuju e Kuro, além dos europeus Celler de Can Roca (três estrelas Michelin, na Espanha) e La Ciau del Tornavento (uma estrela Michelin, na Itália). Eleita Sommelière do Ano em 2022 pela Associação Brasileira de Sommeliers e premiada em 2024 pela revista Prazeres da Mesa, ela comanda duas masterclasses no evento — a primeira, no dia 26, às 14 horas, voltada a convidados, e a segunda, no dia 27, às 15 horas, aberta ao público pagante. “Na masterclass vou mostrar como cada rótulo pode conversar de forma natural com sabores que já fazem parte do dia a dia de qualquer brasileiro”, destacou Carani.
Detalhes do evento e lacunas
Realizado nos dias 26 e 27, das 12 às 18 horas, na Rua Visconde de Parnaíba, 1316, o festival coloca frente a frente o consumidor e pequenos negócios que movimentam o setor de serviços em São Paulo. O lado beneficiado inclui diretamente os nove bares selecionados e as vinícolas de Lisboa, que ganham visibilidade direta com os consumidores locais. Por outro lado, a organização não divulgou a lista nominal dos nove botecos participantes nem os nomes comerciais das cinco vinícolas portuguesas, restando saber também a expectativa oficial de público total para os dois dias de realização.
O que está em jogo: na prática, o evento testa a capacidade de integração comercial entre botecos tradicionais de São Paulo e produtores de vinho de Lisboa, criando novas oportunidades de faturamento para os estabelecimentos participantes no Museu da Imigração. Resta observar como a adesão do público nas masterclasses de Juliana Carani e no consumo dos rótulos portugueses influenciará a inclusão permanente dessas bebidas nos cardápios das tascas paulistanas após o término da edição nos dias 26 e 27.
Com informacoes de revistaoeste.com.