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Delator do Banco Master vira alvo por elo com foragidos

Operação da polícia mira Antonio Carlos Freixo Jr. por suposto esquema de lavagem no setor de combustíveis ligado a empresários foragidos.

Por Redação Ponto FixoPublicado 24/09/2026 às 12h04· 3 min de leitura
Delator do Banco Master vira alvo por elo com foragidos
Foto: Reprodução

A integridade das delações premiadas e os bastidores do sistema financeiro voltam ao centro das atenções com a deflagração da Operação Crédito Oculto. Antonio Carlos Freixo Jr., conhecido como “Mineiro” e apontado como o primeiro delator nas investigações que envolvem o antigo Banco Master, tornou-se alvo direto da nova investida policial. A apuração mira um complexo esquema de lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial que atinge em cheio o setor de distribuição de combustíveis, demonstrando as ramificações de redes financeiras ilícitas no mercado nacional.

A ação representa a terceira fase da Operação Carbono Oculto, iniciada originalmente em agosto de 2025. Naquela primeira etapa, as autoridades tentaram capturar os empresários Roberto Augusto Leme, conhecido pela alcunha de “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”. Ambos permanecem foragidos desde então. O histórico da investigação aponta que Freixo teria colocado suas estruturas empresariais a serviço dessa dupla foragida para disfarçar a real titularidade de ativos e blindar patrimônios bilionários da fiscalização estatal e da Justiça.

Operações cruzadas e contas de passagem

Freixo já havia confessado, em seu acordo de colaboração premiada anterior, sua atuação como operador financeiro de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Naquela função, utilizava pessoas jurídicas para gerar moeda em espécie e efetuar repasses sob demanda. No entanto, o Ministério Público de São Paulo reuniu novos elementos — baseados em contratos, mensagens, documentos e áudios apreendidos — indicando que a empresa Entre Investimentos, pertencente ao delator, atuava em paralelo para acobertar os negócios de Beto Louco e Primo.

Entre as transações sob suspeita da Promotoria está a ocultação dos verdadeiros proprietários da Usina Itajobi, localizada no interior paulista e apontada como peça em um esquema bilionário de fraudes fiscais e lavagem. Além disso, a empresa de Freixo é investigada por funcionar como “conta de passagem” na compra da distribuidora Terrana Combustíveis. Essa movimentação, que envolveu fundos de investimento estruturados, alcançou uma cifra estimada em até R$ 153 milhões, volume expressivo que ilustra a sofisticação das manobras financeiras sob apuração.

Risco jurídico e lacunas da apuração

O avanço das investigações coloca em xeque a credibilidade dos benefícios concedidos no acordo de colaboração de Freixo, abrindo espaço para que o Ministério Público avalie uma eventual rescisão caso fique comprovado que o delator continuou delinquindo ou omitiu patrimônio e comparsas. Do ponto de vista econômico, a ofensiva busca desarticular a concorrência desleal promovida por redes de sonegação de combustíveis, embora até o momento as defesas dos envolvidos não tenham se manifestado publicamente sobre as acusações.

Apesar do material probatório coletado, pontos centrais da dinâmica financeira permanecem em aberto. A Justiça ainda precisa determinar a extensão exata do fluxo de capitais entre a Entre Investimentos e os grupos de Beto Louco, além de esclarecer se outros executivos e instituições financeiras facilitaram a circulação dos recursos sem os devidos alertas de conformidade. O paradeiro dos dois empresários foragidos desde 2025 também segue como a principal incógnita a ser solucionada pelas forças de segurança.

O que está em jogo: a eficácia do acordo de delação de Antonio Carlos Freixo Jr., que pode ser anulado pela Justiça caso se confirmem as omissões financeiras, enquanto o Ministério Público de São Paulo avança para identificar se os R$ 153 milhões movimentados na compra da Terrana e os ativos da Usina Itajobi serviram para sustentar as operações clandestinas de Roberto Augusto Leme e Mohamad Hussein Mourad.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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