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TCU dá 60 dias para governo agir contra apagões em SP

Tribunal de Contas da União exige plano para a energia de São Paulo após 2028 e ameaça punir gestores públicos por contratações emergenciais.

Por Redação Ponto FixoPublicado 23/09/2026 às 18h02· 3 min de leitura
TCU dá 60 dias para governo agir contra apagões em SP
Foto: Reprodução

O Tribunal de Contas da União (TCU) impôs um ultimato de 60 dias para que o governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), apresente um plano de ação detalhado para garantir o fornecimento elétrico na Região Metropolitana de São Paulo após 2028. A medida decorre do julgamento de uma representação apresentada pelo Ministério Público junto à Corte, motivada pela sucessão de apagões severos e interrupções prolongadas que castigam a população paulista desde o final de 2023.

A decisão, relatada pelo ministro Augusto Nardes, expõe o ralo de ineficiência e a degradação estrutural que marcam a distribuição de energia na maior praça econômica do país. Desde 2018, as falhas na prestação do serviço acumularam quase R$ 321 milhões em penalidades administrativas — cifra expressiva, mas insuficiente para sanar problemas crônicos de infraestrutura e gestão. O contingente afetado ultrapassa 8,2 milhões de unidades consumidoras distribuídas por 24 municípios, abrangendo milhões de famílias e comércios que sofrem prejuízos recorrentes pela demora no restabelecimento do serviço básico.

Risco de punição a agentes públicos

Diante do encerramento do contrato vigente em 2028, o TCU fez um alerta contundente contra a inércia governamental: eventuais contratações emergenciais para contornar a falta de planejamento prévio serão alvo de rigorosa fiscalização e resultarão na responsabilização direta dos agentes públicos omissos. A Corte de Contas destacou que o poder público não pode postergar decisões estruturais vitais, sob o risco de criar um ambiente de improviso oneroso para o pagador de impostos e desastroso para a segurança jurídica do mercado.

No centro do debate, quem perde no curto prazo é a população e o setor produtivo, penalizados pela instabilidade na rede elétrica, enquanto a distribuidora acumula sanções sem resolver gargalos operacionais. Por outro lado, caso a determinação do TCU seja cumprida com rigor técnico, os grandes beneficiados serão os consumidores, com a perspectiva de um novo desenho de concessão amparado em metas severas de atendimento, compensações diretas em caso de interrupção e regras claras de eficiência.

Próximos passos e indefinições do contrato

Paralelamente à exigência do plano para o pós-2028, a Aneel conduz um processo administrativo que pode culminar na declaração de caducidade do contrato antes mesmo do seu término original. A prerrogativa final sobre uma eventual extinção antecipada, contudo, repousa exclusivamente nas mãos do Ministério de Minas e Energia. Resta saber se o Executivo federal optará pela rescisão antecipada da concessão atual ou se desenhará uma transição estruturada apenas para o próximo ciclo contratual.

O que está em jogo: a estabilidade do fornecimento elétrico para mais de 8,2 milhões de imóveis paulistas a partir de 2028 e o risco de servidores do MME e da Aneel serem punidos pelo TCU caso o plano de 60 dias não evite contratações emergenciais.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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