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Alexandre Pires vira alvo da PF por esquema de US$ 48 milhões

Polícia Federal deflagra ação contra lavagem de dinheiro ligada a garimpo ilegal e cumpre mandados contra Alexandre Pires.

Por Redação Ponto FixoPublicado 23/09/2026 às 12h02· 4 min de leitura
Alexandre Pires vira alvo da PF por esquema de US$ 48 milhões
Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou uma nova etapa da Operação Disco de Ouro para desarticular um suposto esquema criminoso transnacional voltado à lavagem de dinheiro e à falsidade ideológica. Entre os alvos das medidas judiciais executadas pelos agentes está o cantor e compositor Alexandre Pires, conhecido nacionalmente desde os anos 1990 por sua liderança no grupo de pagode Só Pra Contrariar. O foco da ofensiva é rastrear e interromper a circulação de capitais ilegais gerados pela extração e comercialização clandestina de cassiterita — o principal minério de estanho — extraída da Terra Indígena Yanomami, localizada no estado de Roraima.

Para cumprir as determinações expedidas pela Justiça Federal, a corporação mobilizou suas equipes em 12 mandados de busca e apreensão, somados a 17 ordens de sequestro de bens e valores financeiros. As apurações da corporação indicam que o grupo sob suspeita estruturou um complexo sistema de ocultação patrimonial, utilizando empresas com sede no Brasil e no exterior, contas bancárias em nome de intermediários e transações informais de compensação financeira. O objetivo da estratégia era pulverizar o dinheiro e blindar os verdadeiros beneficiários do escrutínio dos órgãos de fiscalização estatal.

Esquema milionário e minério em Roraima

O volume financeiro sob suspeita chama a atenção pelas proporções: as estimativas da Polícia Federal apontam para uma movimentação que ultrapassa a marca de US$ 48 milhões. Em termos comparativos, a quantia equivale a centenas de milhões de reais e reflete a alta escala do comércio ilícito de cassiterita, insumo estratégico para a indústria de estanho. A presente ofensiva é um desdobramento direto da fase inicial da Operação Disco de Ouro, cujo foco original concentrou-se nas fraudes documentais empregadas para dar verniz de legalidade a cargas de minérios extraídas de forma predatória e ilegal no território nacional.

Em termos práticos, o avanço das apurações atinge em cheio intermediários e operadores do comércio clandestino, gerando perdas patrimoniais imediatas para os alvos que tiveram ativos congelados judicialmente. Por outro lado, ganham as instituições de fiscalização e a ordem legal, já que a atuação visa restabelecer o império da lei e desestimular a invasão predatória de terras públicas e áreas de proteção, que corrompem a integridade territorial e a economia formal. De acordo com a PF, os envolvidos poderão responder judicialmente por organização criminosa, lavagem de capitais, operação irregular de instituição financeira e falsidade ideológica, conforme o grau de participação individual.

Defesa nega elo com garimpo ilegal

Por meio de nota assinada pelo advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, a defesa de Alexandre Pires declarou que o músico foi surpreendido pelas ações da PF e negou veementemente qualquer participação em ilícitos. A representação jurídica enfatizou que o artista possui uma trajetória de mais de três décadas na música, com reconhecimento nacional e premiações como o Grammy Latino, assegurando que ele nunca manteve ligação com garimpo ou exploração mineral em áreas indígenas. A defesa reiterou total confiança na atuação da Justiça brasileira para demonstrar a inocência do cantor ao longo do processo penal.

Apesar do cumprimento das medidas cautelares de busca e constrição patrimonial, pontos essenciais do caso continuam sem esclarecimento público: as autoridades ainda não detalharam exatamente qual teria sido o papel específico desempenhado por Alexandre Pires no fluxo dos recursos, nem se haverá formalização imediata de denúncia pelo Ministério Público Federal. O próximo passo processual caberá à Justiça Federal, que analisará o material apreendido pela Polícia Federal para decidir sobre o recebimento de eventuais acusações formais e a continuidade do bloqueio dos bens.

O que está em jogo: A análise dos documentos apreendidos na Operação Disco de Ouro determinará se a Justiça Federal abrirá ação penal contra Alexandre Pires e os demais investigados pelo esquema de US$ 48 milhões, enquanto a defesa do cantor tentará revogar o sequestro de bens e provar que ele não possui ligação com a extração de cassiterita em Roraima.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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