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Canetas emagrecedoras impulsionam mercado e geram alerta

O avanço dos remédios contra a obesidade no Brasil impulsiona a inovação farmacêutica, mas acende alerta contra o mercado ilegal e sem registro.

Por Redação Ponto FixoPublicado 23/09/2026 às 02h02· 3 min de leitura
Canetas emagrecedoras impulsionam mercado e geram alerta
Foto: Divulgação

A busca por tratamentos contra a obesidade no Brasil atingiu uma nova proporção diante do crescimento expressivo da condição de saúde pública nas últimas duas décadas. Em 2024, a taxa de adultos obesos nas capitais do país e no Distrito Federal alcançou 25,7%, mais que o dobro dos 11,8% registrados em 2006, conforme relatório divulgado pelo Ministério da Saúde. Esse cenário acelerou a adoção em larga escala de medicamentos inovadores, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, que transformaram a abordagem clínica sobre o excesso de peso, mas também abriram espaço para práticas ilegais que desafiam as autoridades sanitárias.

O desenvolvimento dessa classe terapêutica baseada nos análogos do hormônio GLP-1 remonta à década de 1980, tendo seu primeiro fármaco disponibilizado no mercado em 2005 para o tratamento do diabetes tipo 2. O endocrinologista José Eduardo Salles ressalta que são 21 anos de pesquisa e segurança clínica acumulada. No entanto, a transição das pesquisas para o tratamento específico da obesidade gerou resultados expressivos de redução ponderal e benefícios cardiovasculares, consolidando a livre iniciativa e o investimento privado em biotecnologia como motores essenciais para a medicina preventiva.

Avanço científico e evidências clínicas

Evidências robustas corroboram os benefícios terapêuticos desses fármacos sob supervisão médica adequada. No ensaio clínico SELECT, realizado com 17.604 pessoas que apresentavam sobrepeso ou obesidade e doenças cardiovasculares prévias (sem diabetes), a ocorrência de eventos cardiovasculares graves — como infarto não fatal, acidente vascular cerebral (AVC) não fatal ou morte cardiovascular — atingiu 6,5% dos pacientes tratados com a semaglutida, contra 8% no grupo placebo. O resultado representou uma redução de risco relativo de 20% ao longo de cerca de 40 meses de acompanhamento. Contudo, os efeitos adversos exigem cautela: 16,6% dos pacientes com semaglutida descontinuaram o uso de forma definitiva por reações adversas, ante 8,2% no grupo controle.

Cadeia clandestina e ação regulatória

Paralelamente ao mercado legal, que entrou em nova fase com a expiração da patente da semaglutida em 2026, proliferou uma cadeia clandestina que ameaça a saúde dos consumidores. A Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deflagraram a Operação Heavy Pen em 12 Estados, cumprindo 45 mandados de busca e apreensão. Na ação, fiscais encontraram R$ 4,8 milhões em movimentações suspeitas em uma importadora paulista e apreenderam 3,5 quilos de tirzepatida — volume que a Anvisa calcula ser capaz de produzir mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis —, além de 17 mil frascos manipulados irregularmente e 509 gramas do insumo ativo.

A vulnerabilidade do setor também resultou na interdição de oito estabelecimentos em 11 fiscalizações recentes da Anvisa em farmácias de manipulação e importadoras, motivadas por falta de esterilidade, quebra de refrigeração e matérias-primas sem procedência. O risco se agrava com o comércio precoce de moléculas ainda em testes, como a retatrutida da Eli Lilly, que atua nos receptores de GLP-1, GIP e glucagon. Embora apresente resultados promissores na fase 3 de pesquisas, a substância segue sem registro em qualquer país, mas já foi alvo de apreensões em Goiás e identificada em notas fiscais de empresas em São Paulo, além da proibição da caneta não registrada T36 pela agência nacional.

O que está em jogo: A segurança do paciente brasileiro diante do avanço da livre concorrência farmacêutica. De um lado, pacientes com obesidade e diabetes ganham alternativas terapêuticas comprovadas; de outro, consumidores desinformados e farmácias irregulares perdem a salvaguarda sanitária ao recorrer a compostos não registrados como a retatrutida e o modelo T36. Cabe agora observar os desdobramentos judiciais dos 45 mandados da Operação Heavy Pen e a conclusão dos estudos de fase 3 da Eli Lilly para posterior submissão do novo princípio ativo à Anvisa.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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