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Cheia do Tietê joga lixo e geladeira em usina de Salto

Após cheia com vazão de 652 m³/s no rio Tietê, usina histórica de Salto é tomada por lixo e expõe passivo ambiental na região.

Por Redação Ponto FixoPublicado 20/09/2026 às 21h02· 3 min de leitura
Cheia do Tietê joga lixo e geladeira em usina de Salto
Foto: D-Vision Imagens Aéreas

A recente elevação das águas do rio Tietê, registrada nos dias 13 e 14 de setembro, voltou a expor de forma contundente o descaso com o descarte de resíduos ao longo de sua bacia hidrográfica. O episódio provocou o acúmulo de uma quantidade expressiva de detritos no Parque de Lavras, em Salto, interior paulista. Imagens aéreas captadas pelo operador de drone Daniel Santos revelaram um cenário desolador: garrafas plásticas, embalagens diversas e até mesmo uma carcaça de geladeira ficaram retidas nas estruturas da antiga usina hidrelétrica local.

O volume das águas atingiu uma vazão expressiva de 652 metros cúbicos por segundo no dia 14, exigindo o monitoramento contínuo da Defesa Civil e forçando a interdição preventiva do acesso viário ao parque pela Avenida Castro Alves. O episódio não se trata de uma anomalia isolada, mas sim de um problema crônico que se repete a cada ciclo de chuvas intensas, sobrecarregando os municípios situados a jusante da Região Metropolitana.

Impacto crônico e patrimônio histórico

A estrutura atingida carrega uma relevância histórica singular para o desenvolvimento do interior paulista. A Usina Hidrelétrica de Lavras começou a ser erguida em 1904 e iniciou suas operações em 1906, gerando energia incialmente para Itu e, posteriormente, estendendo o fornecimento a Salto. Desativada em 1956, a área foi incorporada pelo município em 1971 e convertida em parque público em 1992, com o objetivo de preservar o patrimônio arquitetônico e as margens verdes do Tietê.

Para dar dimensão ao desafio logístico e financeiro enfrentado pela administração municipal, a Prefeitura de Salto estima recolher, anualmente, uma média de 130 toneladas de resíduos flutuantes que descem o curso d’água. Em termos práticos, isso significa que a cidade precisa arcar continuamente com a destinação de dezenas de caminhões de entulho gerado fora de seus limites, sobrecarregando a gestão pública local e afetando diretamente a população e o turismo regional.

Próximos passos e indefinições na limpeza

Na divisão de responsabilidades, o ônus da degradação recai pesadamente sobre os moradores e o erário de Salto, enquanto a origem de grande parte dos resíduos permanece atrelada à falta de conscientização e à fiscalização deficiente em áreas urbanas ribeirinhas. A administração do espaço turístico, a cargo do Consórcio Parque Lavras, confirmou que todo o entulho retirado será encaminhado ao aterro sanitário municipal.

Contudo, a concessionária admitiu que ainda não há um prazo fixado para o início dos trabalhos de desobstrução, alegando a necessidade de aguardar a secagem do material pesado antes de executar o recolhimento com maquinário. Permanece em aberto, portanto, a data exata em que o Parque de Lavras estará completamente higienizado e liberado com total segurança para os visitantes.

O que está em jogo: A normalização do Parque de Lavras depende diretamente do tempo de secagem dos resíduos para que o Consórcio Parque Lavras inicie a remoção do entulho rumo ao aterro sanitário de Salto, enquanto a cidade segue arcando com o custo de processar as cerca de 130 toneladas anuais de lixo arrastadas pelas cheias do Tietê.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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