Itamaraty e chancelaria paraguaia não chegam a acordo sobre a entrega da peça histórica tomada pelo Exército Imperial em 1870.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva optou por não avançar nas tratativas para a devolução do canhão histórico Cristão ao Paraguai. A questão foi debatida durante encontro bilateral em Montevidéu, no Uruguai, entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, em uma quarta-feira, 2, terminando sem consenso diplomático entre as partes.
Segundo informações divulgadas pelo Itamaraty, o ministro Mauro Vieira pontuou formalmente que “não ocorreram, até o momento, as conversações diplomáticas necessárias para dar o tratamento adequado ao assunto”. O posicionamento oficial reflete uma postura de cautela do governo federal frente à demanda de Assunção, que enxerga na repatriação da peça bélica um gesto de reparação histórica pelos acontecimentos do século XIX.
Conhecida internacionalmente como El Cristiano, a imponente peça de artilharia foi capturada pelas tropas do Exército Imperial brasileiro em 1870, no desfecho da Guerra da Tríplice Aliança. Atualmente, o artefato integra o patrimônio tombado sob tutela do Museu Histórico Nacional, situado na cidade do Rio de Janeiro, sendo considerado pela historiografia e pelas Forças Armadas um dos mais relevantes troféus militares preservados pela memória nacional.
A reivindicação pelo armamento já havia sido apresentada diretamente pelo presidente paraguaio, Santiago Peña, a Lula em 2023, tendo sido reiterada em ocasiões posteriores. No entanto, fontes diplomáticas apontam que o Palácio do Planalto não emitiu as instruções necessárias para deflagrar os trâmites institucionais exigidos, visto que o regramento jurídico brasileiro impõe decisão presidencial e pareceres técnicos rigorosos para qualquer ato de cessão definitiva de itens do patrimônio histórico.
As conversas entre os dois países vizinhos ganharam novos contornos após declarações recentes de Lula sobre o conflito histórico que causaram mal-estar diplomático no Paraguai. Além do canhão Cristão, o governo de Santiago Peña também pleiteia a devolução de outros objetos e documentações capturados pelo Brasil durante o confronto armado, enquanto as respectivas chancelarias afirmam que seguirão mantendo o diálogo em busca de entendimentos futuros.
O que esta em jogo: A discussão transcende a diplomacia protocolar e toca diretamente na preservação da memória, da soberania e dos marcos institucionais da história militar brasileira. A salvaguarda de acervos nacionais sob tutela de instituições como o Museu Histórico Nacional protege o patrimônio público de concessões meramente políticas ou ideológicas, exigindo rigor técnico e respeito irrestrito à legislação que rege os bens tombados da nação.
Com informacoes de revistaoeste.com.