Em depoimento ao ministro André Mendonça, ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirma ter sido ameaçado para não citar Andrei Rodrigues em delação.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que comandava o Banco Master antes de a instituição financeira ser liquidada judicialmente pelo Banco Central, prestou um depoimento explosivo ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na oitiva, realizada com a presença do Ministério Público e de um juiz auxiliar, mas expressamente sem a participação de agentes da Polícia Federal (PF), Vorcaro denunciou ter sido vítima de tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas durante o período em que permaneceu sob custódia estatal.
Segundo as declarações do ex-banqueiro, as intimidações teriam como principal objetivo impedi-lo de apresentar informações sensíveis envolvendo a cúpula da Polícia Federal em uma eventual proposta de delação premiada. Vorcaro relatou que agentes responsáveis por sua escolta chegaram a afirmar que ele ficaria preso indefinidamente caso decidisse citar o nome do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Além disso, o empresário narrou ter permanecido de olhos vendados durante uma transferência entre presídios e submetido a calor excessivo em um camburão, comparando a experiência à situação de Nicolás Maduro após ser capturado pelas autoridades norte-americanas.
No centro de seu depoimento, o ex-dono do Banco Master argumentou que a Polícia Federal teria rejeitado três tentativas de acordo de colaboração premiada devido ao temor institucional de que o diretor-geral da corporação fosse mencionado nos relatos. Por outro lado, membros da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) rebatem as acusações, sustentando que Vorcaro não apresentou fatos concretos para fundamentar a tese de maus-tratos e que as alegações representariam uma manobra da defesa para forçar a abertura de uma nova rodada de negociações de delação.
Interlocutores ligados a Andrei Rodrigues também negaram qualquer tipo de relação próxima entre o chefe da PF e o ex-banqueiro, afirmando que ambos tiveram apenas um encontro casual durante um seminário jurídico em Londres que contou com o patrocínio do Banco Master. O ministro André Mendonça confirmou publicamente a realização da audiência com o Ministério Público após pedido de urgência da defesa, que apontava “graves intimidações”. O gabinete do magistrado enfatizou que o procedimento foi um “ato processual regular” e esclareceu que temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes não foram debatidos na ocasião.
O que esta em jogo: A denúncia atinge o coração das garantias fundamentais do devido processo legal e acende um alerta sobre os limites de atuação do aparato repressivo estatal. Sob a ótica do Estado de Direito e das liberdades individuais, a integridade física e psicológica de qualquer cidadão sob custódia deve ser preservada incondicionalmente, sem que instrumentos de coerção sejam utilizados para restringir depoimentos ou direcionar colaborações jurídicas que envolvam autoridades públicas.
Com informacoes de revistaoeste.com.