A advogada Ângela Gandra apontou crise institucional e defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes após relatório da PF revelar contatos e contrato milionário ligado ao Banco Master.

A revelação de novos relatórios da Polícia Federal sobre as investigações do Banco Master reacendeu debates profundos sobre a integridade institucional e os limites éticos do Judiciário brasileiro. Em entrevista ao Jornal da Oeste Primeira Edição, a advogada Ângela Gandra analisou os desdobramentos do caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que o episódio evidencia uma grave crise e sinaliza uma blindagem recíproca entre cúpulas de poder.
Segundo o material da PF tornado público, mensagens extraídas do aparelho celular de Vorcaro indicam que o empresário mantinha diálogos diretos com Alexandre de Moraes e teria buscado auxílio com o magistrado diante do cerco policial e judicial. O documento também faz menção ao procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e registra a existência de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre a instituição financeira de Vorcaro e o escritório de advocacia chefiado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro da Suprema Corte.
Ao avaliar o teor dessas revelações, Ângela Gandra enfatizou que a dinâmica observada destoa frontalmente do desenho constitucional que rege o Estado de Direito. Para a jurista, o cenário atual reflete “um sistema de conluio entre Poderes, e não de separação e harmonia dos Poderes em função do bem comum”, alertando que a percepção pública diante desses fatos gera uma incontornável “sensação de necessidade de Justiça” e a suspeita de que autoridades estariam atuando em mútua proteção contra eventuais investigações.
Em contrapartida à postura criticada na condução de processos sigilosos, a advogada elogiou expressamente a determinação do ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF. Mendonça foi o responsável por retirar o sigilo do relatório policial e defendeu que o conjunto probatório seja apreciado de maneira soberana, pública e transparente pelo plenário da Corte. Gandra classificou o posicionamento de Mendonça como uma postura de juiz verdadeiramente imparcial, comprometido com a busca dos fatos e com o cumprimento do dever perante a nação.
Por fim, a jurista argumentou sobre a necessidade de rigor e distanciamento legal para que a credibilidade da Suprema Corte não seja ainda mais desgastada. Na avaliação de Ângela Gandra, Alexandre de Moraes não reúne condições de imparcialidade para deliberar sobre o processo e deveria ser formalmente afastado de qualquer atuação caso as apurações alcancem plenamente o STF. A advogada concluiu sustentando que, no plano ético, a renúncia voluntária do magistrado representaria a medida mais nobre para a preservação das instituições, embora tenha expressado ceticismo quanto à possibilidade de tal gesto se concretizar.
O que esta em jogo: A publicização de diálogos diretos entre membros da mais alta corte de Justiça do país e investigados do sistema financeiro coloca em xeque o princípio basilar da separação e independência dos Poderes, bem como a transparência nas relações entre magistrados e interesses corporativos. A decisão de levar o material ao plenário do STF definirá não apenas os rumos jurídicos do caso Banco Master, mas servirá de termômetro sobre a capacidade do tribunal de exercer a autorregulação e garantir a paridade de armas em processos de grande repercussão nacional.
Com informacoes de revistaoeste.com.