Mesmo sob forte pressão pelo caso Banco Master, ministros do STF ignoram mensagens vazadas durante sessão plenária e mantêm distanciamento público da crise.

O Supremo Tribunal Federal (STF) optou pelo silêncio institucional absoluto durante a primeira sessão plenária realizada após a divulgação de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do antigo Banco Master. Apesar de o tema gerar intenso desconforto nos corredores de Brasília e desgastar a imagem pública da mais alta Corte do país, nenhum dos magistrados fez qualquer menção ao caso no plenário, evidenciando uma estratégia coordenada para evitar confrontos públicos imediatos.
Durante os trabalhos, Alexandre de Moraes ocupou assento exatamente ao lado do ministro André Mendonça, responsável direto por levantar o sigilo dos relatórios elaborados pela Polícia Federal (PF). O distanciamento entre ambos foi notório: não houve diálogo nem troca de impressões na abertura da sessão. Mendonça, inclusive, é apontado nos bastidores como defensor da tese de que o próprio plenário do tribunal avalie e investigue a conduta de Moraes diante dos novos fatos.
O padrão de contenção foi seguido à risca pela presidência da Corte e pelos demais integrantes. O ministro Edson Fachin estruturou a pauta do dia priorizando sustentações orais de advogados, o que limitou deliberadamente o tempo de manifestação individual dos ministros. Até mesmo o decano Gilmar Mendes, conhecido por suas intervenções enérgicas e posicionamentos públicos em momentos de crise institucional, manteve-se estritamente reservado ao longo das discussões processuais.
O contraste entre a seriedade exibida durante a sessão e os bastidores ficou evidente ao final dos trabalhos, por volta das 18h. Enquanto André Mendonça deixou o tribunal de forma solitária em direção ao estacionamento, os ministros Edson Fachin, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes reuniram-se no Salão Branco da Corte, onde chegaram a trocar risos e manter conversas descontraídas, demonstrando aparente tranquilidade diante da repercussão externa.
As revelações contidas no relatório da PF expõem diálogos comprometedores que envolvem encontros presenciais, contratos de cifras milionárias e pedidos diretos de auxílio formulados por Vorcaro a Moraes, além de tentativas de interferência em coberturas jornalísticas. O conteúdo elevou a temperatura política e jurídica no país, alimentando debates sobre os limites éticos e a necessidade de transparência nas relações de membros do Judiciário.
O que esta em jogo: A postura de omissão deliberada do STF perante denúncias graves aprofunda o abismo de desconfiança entre a sociedade e as instituições judiciais brasileiras. Em um Estado Democrático de Direito pautado pelo império da lei e pela separação de poderes, a ausência de esclarecimentos robustos sobre a proximidade entre magistrados e agentes do mercado financeiro mina a autoridade moral da Justiça e reforça a percepção de tratamento diferenciado a membros da própria Corte.
Com informacoes de revistaoeste.com.