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Mensagens da PF revelam pressão de Vorcaro por repasses milionários ao escritório da mulher de Moraes

Investigações da Polícia Federal mostram cobrança intensa do ex-controlador do Banco Master para manter em dia contrato de R$ 129 milhões com a banca de Viviane Barci de Moraes.

Por Redação Ponto FixoPublicado 01/09/2026 às 16h02· 3 min de leitura
Mensagens da PF revelam pressão de Vorcaro por repasses milionários ao escritório da mulher de Moraes
Foto: TSE – Tribunal Superior Eleitoral / Wikimedia

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no aparelho celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelaram uma intensa cobrança interna para assegurar a pontualidade dos repasses ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O material teve seu sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, trazendo à tona detalhes do acordo de prestação de serviços firmado pela instituição financeira.

De acordo com os registros da investigação, o contrato em questão previa a quantia total de R$ 129 milhões, estruturada em pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões distribuídos ao longo de 36 meses. Nos diálogos interceptados pelas autoridades, Vorcaro tratava a relação com o escritório da cônjuge do magistrado como uma prioridade absoluta da instituição financeira, classificando o compromisso reiteradas vezes perante sua equipe como o “mais importante” mantido pelo banco.

Em uma das conversas datadas de 8 de fevereiro de 2024, o banqueiro consultou seu cunhado, Fabiano Zettel, sobre o vencimento da parcela inicial e, no mesmo dia, encaminhou um comprovante de transferência no valor de R$ 3,4 milhões destinado à banca. Meses depois, em 15 de março de 2024, o ex-ministro das Comunicações Fabio Faria entrou em contato para alertar sobre eventuais atrasos, escrevendo a Vorcaro que “o careca não pode atrasar” — segundo a Polícia Federal, coube a Faria intermediar o contato original entre o banqueiro e o ministro do STF.

A reação de Vorcaro foi imediata e de forte irritação com seus subordinados, cobrando o sócio e tesoureiro Ângelo Silva: “Contrato mais importante que temos. Não estou entendendo isso. Te pedi para não falhar. Vamos ter problemas”. O banqueiro também instruiu uma funcionária da instituição a acompanhar pessoalmente a quitação sem admitir atrasos de sequer um dia, autorizando pagamentos antecipados mesmo antes da emissão formal das notas fiscais. Posteriormente, em 1º de abril de 2025, o executivo ordenou sigilo rigoroso internamente, exigindo que o documento contratual fosse guardado sem que outras pessoas tivessem acesso.

Em posicionamento oficial sobre o caso, a assessoria jurídica do escritório Barci de Moraes declarou que seu setor de compliance realizou uma consulta prévia ao próprio ministro Alexandre de Moraes antes da assinatura do acordo. Conforme a defesa da banca, o magistrado teria informado a inexistência de impedimentos éticos ou legais para a contratação, sustentando que nunca presidiu ou atuou em processos judiciais que envolvessem diretamente os interesses do Banco Master no tribunal.

O que esta em jogo: A divulgação das comunicações ocorre em um momento de intenso escrutínio público sobre os limites éticos e as relações entre grandes grupos financeiros e bancas de advocacia ligadas a familiares de membros das altas cortes do país. Sob a ótica da governança institucional e da separação de poderes, casos como este ampliam o debate sobre a transparência, a segurança jurídica e a necessidade de critérios rigorosos de conformidade que impeçam eventuais conflitos de interesse, elementos vitais para a solidez do ambiente de negócios e a credibilidade das instituições republicanas no Brasil.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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