Perícia da Polícia Federal resgata conversas e manobras do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes dias antes de prisão em aeroporto.

Investigações da Polícia Federal trouxeram à tona uma sequência de contatos diretos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Mensagens recuperadas pelos peritos no aparelho celular do empresário revelam que, em 14 de novembro de 2025 — apenas três dias antes de sua prisão —, Vorcaro declarou expressamente ter uma dívida de gratidão para com o magistrado. No texto, o investigado afirmou: “Toda minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nos tem uma divida de vida contigo e com a sua família”.
Os dados periciais apontam que o executivo utilizava métodos para evitar o rastreamento formal de seus diálogos eletrônicos. Vorcaro costumava redigir os textos no aplicativo de bloco de notas de seu telefone, capturar uma imagem da tela e remeter o arquivo pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única. Apesar do esforço para apagar os vestígios da comunicação, a equipe técnica da Polícia Federal conseguiu reconstituir a produção dos arquivos e o histórico das mensagens que haviam sido trocadas entre as partes.
O teor dos registros interceptados pela PF inclui tentativas explícitas de interceder sobre investigações em curso. Vorcaro teria solicitado o auxílio de Moraes com o objetivo de adiar o cumprimento de diligências policiais na semana anterior à sua detenção, fazendo menção nominal direta ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em 16 de novembro, o empresário voltou a procurar o ministro para solicitar uma reunião presencial rápida de poucos minutos; contudo, a prisão foi efetuada no dia seguinte, 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando o executivo tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai.
As revelações também jogam luz sobre os laços econômicos mantidos entre o grupo financeiro e o entorno familiar do magistrado. De acordo com os documentos da investigação, o Banco Master firmou um contrato expressivo de R$ 131 milhões com a banca de advocacia pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. O instrumento contratual estipulava a realização de repasses mensais na ordem de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos.
O caso ganhou novos desdobramentos na mais alta corte do país com a decisão do ministro André Mendonça de derrubar o sigilo sobre os autos, sustentando que os novos elementos colhidos pelos investigadores federais devem ser analisados pelo plenário do STF. No âmbito do Congresso Nacional, as revelações repercutiram de forma contundente, gerando declarações de parlamentares como o senador Flávio Bolsonaro, que apontou uma atuação inadequada do magistrado em favor do investigado.
O que esta em jogo: O episódio aprofunda os questionamentos da sociedade e do meio político sobre a lisura e a necessária equidistância do Poder Judiciário, expondo a proximidade entre agentes com causas pendentes de fiscalização e integrantes das mais altas instâncias da Justiça. A transparência na conduta de magistrados, especialmente diante de relações contratuais de valores vultosos envolvendo familiares, é um pilar essencial para a preservação do Estado de Direito, a segurança jurídica e a garantia de que as instituições operem sob a devida igualdade de todos perante a lei.
Com informacoes de revistaoeste.com.