Disputa eleitoral de 2026 une a cúpula petista a antigos defensores do afastamento de Dilma, expondo o pragmatismo político em torno de alianças pelo poder.

Aproximadamente uma década após a conclusão do processo constitucional que culminou no afastamento definitivo de Dilma Rousseff da Presidência da República, o pragmatismo eleitoral voltou a ditar os rumos das composições políticas no Brasil. Nas eleições gerais de outubro de 2026, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, postulante à reeleição, formalizam palanques conjuntos com ao menos 11 parlamentares e lideranças que outrora votaram a favor do impeachment da petista por crime de responsabilidade.
Entre os nomes que agora contam com a chancela e o apoio direto da cúpula petista figuram parlamentares de peso no Congresso Nacional. De acordo com levantamento do Poder360, integram a lista os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM), Omar Aziz (PSD-AM), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e Eliziane Gama (PT-MA). Essas figuras, fundamentais para a correlação de forças no Senado Federal, estiveram presentes na votação que selou o destino do governo Dilma em agosto de 2016 e hoje atuam alinhadas às pretensões de governabilidade e de manutenção de poder do Palácio do Planalto.
O movimento de aproximação estende-se também a postos estratégicos da Esplanada dos Ministérios e do Legislativo. A ex-senadora Simone Tebet, que atuou como ministra do Planejamento e Orçamento na gestão petista e votou pela cassação em 2016 quando integrava o MDB, migrou para o PSB a pedido de Lula. Tebet disputará uma vaga ao Senado por São Paulo na chapa encabeçada pela aliança de Lula com o candidato a governador Fernando Haddad (PT). Na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que também votou favoravelmente à saída da presidente no passado, apoia a reeleição de Lula e busca renovar seu próprio mandato no pleito deste ano.
A costura de alianças com antigos adversários contrasta com a narrativa histórica sustentada pela esquerda, que habitualmente classifica o rito constitucional de 2016 como um suposto rompimento institucional. Na época, a Câmara e o Senado julgaram procedentes as acusações relativas às chamadas “pedaladas fiscais”, manobras contábeis executadas pelo Executivo federal para ocultar déficits e maquiar as contas públicas. Mesmo destituída da Presidência, Dilma Rousseff manteve os direitos políticos por decisão do próprio Congresso, tentou sem sucesso disputar uma cadeira no Senado por Minas Gerais em 2018 e acabou assumindo o comando do Novo Banco de Desenvolvimento, a instituição financeira do bloco Brics.
A reaproximação com os protagonistas do impeachment evidencia a priorização da conveniência eleitoral e da montagem de bases de sustentação parlamentar sobre os discursos ideológicos adotados no passado. Em busca de votos e de estabilidade no Congresso, a articulação governista demonstra flexibilidade partidária, relegando as divergências de 2016 a um plano secundário em prol da expansão do espaço político de seus candidatos nos estados e em âmbito nacional.
O que esta em jogo: A composição desses palanques em 2026 reflete a dinâmica de sobrevivência e pragmatismo no sistema político brasileiro, no qual partidos abrem mão de coerência discursiva para atrair bases consolidadas nos estados. Ao acolher parlamentares que endossaram a cassação por pedaladas fiscais, a liderança petista reforça que a busca por maioria legislativa se sobrepõe à retórica histórica, expondo as contradições entre a disputa de narrativas públicas e as conveniências reais da governabilidade.
Com informacoes de revistaoeste.com.