Investigação da Polícia Federal aponta intermediação de Marco Aurélio Santana Ribeiro para aproximar lobista ligada ao filho do presidente da cúpula da pasta da Saúde.

A Polícia Federal identificou trocas de mensagens que expõem a atuação direta de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na facilitação de acesso de uma lobista aos escalões superiores da administração federal. Os registros obtidos pelos investigadores mostram que Marcola intermediou o contato entre a lobista Roberta Luchsinger e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, em setembro de 2023.
Roberta Luchsinger, apontada como amiga pessoal de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, utilizou o nome do ex-assessor palaciano para solicitar reuniões na pasta. Conforme as mensagens interceptadas, ela se apresentou a Barbosa afirmando ser “amiga do Marcola” e ressaltou ter recebido dele o contato direto do secretário. Em resposta, o número dois da pasta declarou que já havia sido avisado pelo assessor de Lula e disponibilizou a assessoria para viabilizar o encontro.
Após a realização da audiência, a lobista reportou o andamento a Marcola, elogiando o atendimento recebido e afirmando textualmente que o secretário fora “super solícito” e que “teremos coisa ali pra fazer”. A interlocução continuou nos meses seguintes. Em fevereiro de 2024, Roberta voltou a procurar o ex-chefe de gabinete para articular nova agenda e mencionou o “negócio do canabidiol”. No mês seguinte, ela chegou a enviar um organograma do Ministério da Saúde com setores estratégicos devidamente destacados.
O foco das apurações da PF recai sobre a tentativa de pavimentar acordos comerciais milionários com recursos públicos. Os investigadores apuram se a ofensiva visava favorecer a empresa World Cannabis, associada a Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”. Uma das propostas em circulação previa a aquisição governamental de 1,2 milhão de frascos de medicamentos à base de canabidiol, transação avaliada em cerca de R$ 626 milhões. O fornecimento não chegou a ser concretizado.
Paralelamente às negociações na pasta, a Polícia Federal também investiga pagamentos e eventuais benefícios financeiros transferidos pela lobista a Marcola. Em sua defesa, o ex-assessor do presidente nega qualquer intermediação ilícita, assim como a entrega ou o manuseio de documentos relacionados a procedimentos licitatórios ou compras públicas.
O que esta em jogo: O caso evidencia os riscos persistentes do uso de influência política e proximidade pessoal com a cúpula do poder para acessar orçamentos bilionários do Estado. A atuação de intermediários em contratos de grande porte no setor de saúde pública reforça a necessidade de rigorosa transparência administrativa, governança e conformidade nas aquisições federais, assegurando que o erário e o interesse coletivo estejam protegidos de pressões e favorecimentos de grupos privados.
Com informacoes de revistaoeste.com.