Documento do MPSP apresentado à Justiça aponta que a influenciadora integrava o núcleo financeiro da facção criminosa, movimentando valores e convertendo recursos ilícitos em bens de luxo.

Uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) revelou detalhes contundentes sobre a atuação da influenciadora e advogada Deolane Bezerra em esquemas ligados ao crime organizado. Segundo a manifestação enviada à Justiça no âmbito da Operação Vérnix, Deolane é apontada pelos promotores como a principal integrante do braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), chegando a ser classificada explicitamente no documento como o “verdadeiro caixa da organização criminosa”. O registro profissional da advogada na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encontra-se atualmente suspenso.
As investigações conduzidas pelo órgão ministerial descrevem que a estrutura da facção era compartimentada em núcleos estratégicos. O núcleo decisório central permanecia sob o comando de Marcola — apontado como líder máximo da organização — e de seu irmão. No núcleo financeiro, Deolane Bezerra figurava diretamente ao lado de um sobrinho de Marcola. A apuração sustenta que a influenciadora recebia sistematicamente dezenas de repasses suspeitos, acumulando cerca de R$ 700 mil em transações sob escrutínio, utilizando contas bancárias pessoais e empresas registradas em seu nome para dar fluxo aos valores ilícitos.
De acordo com os investigadores, o papel de Deolane ia além da simples custódia: sua projeção pública e notoriedade nas redes sociais eram utilizadas deliberadamente como fachada para conferir aparência de legalidade à circulação do capital proveniente de crimes. Os recursos transferidos à influenciadora eram convertidos na aquisição de patrimônio de alto padrão, mecanismo clássico de lavagem de capitais. Como resultado das medidas cautelares patrimoniais, a Justiça autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões vinculados a Deolane, além da apreensão de 39 veículos de luxo avaliados em montante superior a R$ 8 milhões.
Diante do quadro apresentado, o Ministério Público formalizou denúncia contra Deolane Bezerra, Marcola, seu irmão e outros investigados pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. A promotoria requereu a manutenção da prisão preventiva dos alvos da Operação Vérnix, sustentando perante o Judiciário que a soltura dos envolvidos impõe risco concreto de continuidade das atividades ilícitas e de ocultação patrimonial. Em contrapartida, a defesa técnica da influenciadora nega peremptoriamente todas as acusações formuladas pela acusação.
O que esta em jogo: O avanço das investigações sobre os esquemas de lavagem de dinheiro do PCC expõe a sofisticação das facções criminosas brasileiras, que há tempos deixaram de operar apenas no submundo das periferias e presídios para infiltrar vultosos recursos na economia formal. A utilização de figuras de grande apelo midiático e instrumentos empresariais demonstra a urgência de um combate rigoroso e sem concessões ao crime organizado, que corrompe a ordem jurídica, distorce o ambiente econômico e ameaça a segurança e as instituições do país.
Com informacoes de revistaoeste.com.