A Polícia Federal prendeu o pastor Márcio Poncio em uma nova fase da Operação Unha e Carne, que investiga um complexo esquema de vazamento de informações e lavagem de dinheiro envolvendo o Comando Vermelho, contraventores e agentes públicos no Rio de Janeiro.

A Polícia Federal (PF) efetuou a prisão do pastor Márcio Poncio nesta quinta-feira, durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne. A ação, que ocorre no Rio de Janeiro, investiga um intricado esquema de vazamento de informações sigilosas de operações policiais, supostamente direcionadas ao Comando Vermelho (CV). A investigação aponta para uma rede de proteção que teria facilitado a destruição de provas e a ocultação de ativos por parte dos criminosos.
Além de Poncio, a operação tem como alvos o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já está sob custódia, e o contraventor Adilsinho. As ordens, expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), incluem três mandados de prisão e 14 de busca e apreensão, cumpridos no Rio de Janeiro e em São João de Meriti. O STF também determinou o sequestro de bens e valores que somam até R$ 22 milhões, indicando a magnitude financeira da teia criminosa sob investigação.
A ofensiva policial busca aprofundar as apurações sobre indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho e suas possíveis ramificações junto a membros dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro. A Operação Unha e Carne, que já teve quatro fases anteriores entre dezembro de 2025 e março deste ano, revelou listas que apontam pagamentos indevidos, doações eleitorais e registros contábeis que indicam a movimentação ilícita de recursos.
Os documentos apreendidos nas fases prévias chamaram a atenção dos investigadores por indicarem repasses diretos a agentes políticos fluminenses. A PF agora se concentra em desvendar a origem dos recursos, o fluxo financeiro, a identidade dos beneficiários finais, intermediários e operadores envolvidos, bem como aprofundar a análise de todas as provas recolhidas. Este cenário evidencia a preocupante infiltração do crime organizado em esferas de poder e a complexidade da rede a ser desmantelada.
A ligação entre figuras religiosas, como o pastor Poncio, e organizações criminosas como o Comando Vermelho, sublinha a profunda deterioração moral e social que o crime organizado pode provocar. Este caso específico, que conjuga contravenção, lavagem de dinheiro e possível corrupção de agentes públicos, ressalta a urgência de fortalecer as instituições de segurança e justiça para proteger a soberania nacional e os valores de uma sociedade que preza pela lei e pela ordem, afastando qualquer sombra de impunidade sobre aqueles que se valem de suas posições para auxiliar o crime.
O que está em jogo: Esta operação da PF destaca a persistência e a audácia das redes criminosas no Rio de Janeiro, que, ao se conectar com figuras públicas e religiosas, buscam legitimidade e proteção para suas atividades ilícitas, minando a confiança nas instituições e a segurança da população.
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