Advogados de detidos na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS totalizando R$ 6,5 bilhões, apelam ao STF pela revogação das prisões preventivas, questionando a demora no indiciamento.

As defesas dos acusados na Operação Sem Desconto, que apura um monumental esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), estão intensificando seus pedidos de revisão das prisões preventivas junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal (PF) deflagrou a operação em 18 de dezembro do ano passado, prendendo diversos investigados. A magnitude do esquema é alarmante, com desvios estimados em R$ 6,5 bilhões, envolvendo uma rede complexa de empresários, associações e políticos.
A legislação brasileira, embora não estabeleça um prazo máximo para a prisão preventiva, exige que a necessidade de sua manutenção seja reavaliada pelo juiz a cada 90 dias. No caso em questão, o ministro André Mendonça, do STF, é o relator e tem em suas mãos a análise de múltiplas petições apresentadas pelas defesas. Entre os casos mais notáveis, estão as 14 petições relativas a Adelino Rodrigues Júnior e Domingos Sávio de Castro, sócios da DM&H Assessoria Empresarial e Corretora de Seguros, que são acusados pela PF de serem parceiros de Antônio Camilo Antunes, amplamente conhecido como Careca do INSS.
As investigações apontam para crimes de lavagem de dinheiro e dissimulação patrimonial, evidenciando a sofisticação da trama criminosa. Além das defesas de Rodrigues Júnior e Castro, advogados de Antônio Camilo Antunes, de seu filho Romeu Antunes, do ex-diretor financeiro Milton Almeida Junior e do ex-contador Alexandre Caetano dos Reis também se manifestaram, criticando a prolongada demora no indiciamento dos envolvidos. Argumentos como a longa carreira sem máculas de Reis e a alegação de que Almeida Junior atuava apenas como diretor financeiro, sem envolvimento direto com benefícios do INSS, foram apresentados à PF já em abril.
A complexidade e a extensão da Operação Sem Desconto têm se refletido na própria condução do inquérito. A Polícia Federal, em um movimento que gerou debates, solicitou ao ministro André Mendonça um prazo estendido para a conclusão das investigações. A corporação justificou o pedido alegando que ainda está processando o vasto material apreendido desde abril do ano passado. Essa solicitação veio após o próprio ministro ter concedido um prazo de 60 dias à PF para periciar celulares, HDs e pendrives, manifestando preocupação com a lentidão do processo.
A situação dos detidos na Papuda, em celas apelidadas de “Ala do INSS”, também é um ponto de contestação. As defesas argumentam contra o isolamento e pleiteiam a substituição das prisões preventivas por medidas alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica. Com um pedido de prorrogação de seis meses para a análise de dados dos demais investigados, a decisão de Mendonça nos próximos dias será crucial para o andamento do processo e para a situação dos presos, que se mantém em um limbo jurídico.
O que está em jogo: A decisão do ministro André Mendonça sobre as prisões preventivas e a prorrogação do inquérito terá implicações diretas na liberdade dos acusados e no ritmo da investigação de uma das maiores fraudes já apuradas contra o INSS, podendo influenciar a recuperação de bilhões de reais desviados e a credibilidade do sistema previdenciário.
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