A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro não cometeu crime ao manter uma pistola Glock registrada em sua residência, após investigação que envolveu a apreensão da arma com um sargento do Exército.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório final que isenta o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de qualquer crime relacionado à posse de uma pistola Glock. A investigação foi aberta após a arma, registrada em nome de Bolsonaro, ser apreendida com o segundo-sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho durante uma blitz policial em Taguatinga, no Distrito Federal, em junho.
Segundo o delegado Thiago Boeing Schemes da Silva, responsável pelo relatório, não foram encontrados elementos que configurassem crime por parte de Bolsonaro. O documento aponta que o ex-presidente possuía registro válido para a arma e que não havia restrições conhecidas para que a mantivesse em sua residência. Este parecer reforça a legalidade da posse do armamento, questionada após a apreensão.
No curso das investigações, Bolsonaro foi ouvido pela PCDF, com autorização do Supremo, e explicou que tinha registro regular de armas por ser capitão do Exército. Ele narrou que, após um mandado de busca e apreensão anterior da Polícia Federal, pediu para que uma arma permanecesse em casa para a proteção das mulheres de sua família, o que teria sido autorizado por um delegado da PF. Essa solicitação, segundo ele, visava garantir a segurança do lar diante da ausência de outras armas.
O ex-presidente também esclareceu que a pistola permaneceu em sua residência até apresentar uma pane mecânica. Neste momento, ele teria chamado o sargento Estácio Leite para verificar o defeito. Contudo, Bolsonaro alegou que o militar deixou a residência levando a arma sem sua autorização, e que só tomou conhecimento da situação após ser informado sobre a apreensão. A defesa do ex-presidente apresentou o Certificado de Registro da arma, e o Exército Brasileiro confirmou sua validade.
A conclusão do delegado Thiago Boeing enfatiza a ausência de materialidade e dolo em um eventual crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. A PCDF destacou que, em mandados de busca e apreensão anteriores na residência de Bolsonaro, a arma não foi recolhida nem houve lançamento de restrição em seu registro, o que, para a polícia, corrobora a legalidade de sua posse na época dos fatos.
O que está em jogo: A decisão da PCDF representa um desdobramento favorável ao ex-presidente em mais uma frente de investigação, indicando que a posse da arma era regular e que a saída da pistola de sua residência se deu sem sua autorização direta, o que pode aliviar a pressão sobre Bolsonaro neste caso específico.
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