Investigação da Polícia Civil aponta ligação familiar de assessora parlamentar do deputado Jilmar Tatto (PT-SP) com operadores de lavagem de dinheiro do PCC, levantando questionamentos sobre a transparência no transporte público paulistano.

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, que resultou na prisão do vereador Senival Moura (PT), lançou luz sobre conexões familiares de uma assessora parlamentar com indivíduos sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). O relatório policial menciona o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), vice-presidente nacional do partido, em função da presença da assessora em seu gabinete.
A apuração policial indica que a empresa Transunião Transportes S.A., concessionária responsável por dezenas de linhas de ônibus na zona leste da capital paulista, teria sido utilizada para ocultar recursos oriundos principalmente do tráfico de drogas. A secretária parlamentar em questão é Roseli Caires Oliveira Martins, mãe de Ingrid Caires Martins Bernardino, que é identificada como beneficiária de repasses financeiros atribuídos à organização criminosa. Roseli Martins também foi companheira de Leonel Moreira Martins, apontado pela investigação como um dos operadores financeiros do esquema.
Os investigadores detalham que Roseli Caires Oliveira Martins teve participação ativa na campanha eleitoral de Senival Moura à Câmara Municipal de São Paulo em 2020. Após a campanha, ela assumiu um cargo comissionado como secretária parlamentar, inicialmente no gabinete do deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) e, posteriormente, no gabinete de Jilmar Tatto. A investigação sublinha a trajetória de Roseli e suas conexões, dada a associação histórica de Jilmar Tatto com a área de transportes públicos da capital paulista, onde ele já exerceu o cargo de Secretário Municipal.
O modus operandi do esquema envolvia a Transunião Transportes S.A., que, conforme a polícia, teria servido como fachada para lavar dinheiro do PCC. Os recursos ilícitos teriam sido empregados, inclusive, para a conquista da concessão do serviço de transporte coletivo. Ingrid Caires Martins Bernardino, filha de Roseli, teria recebido transferências da Transunião por meio de suas empresas, I.C. Martins Calçados e ICM Transportes de Passageiro e Locação de Veículos Eireli, em operações que, segundo a polícia, visavam ocultar patrimônio e conferir legalidade a fundos de origem criminosa.
A complexidade do esquema se aprofunda com a revelação de que Ingrid é casada com Ademilson Bernardino Pinto, irmão de Osiel Bernardino Pinto, ex-diretor-presidente e atual membro do conselho da Transunião. Essa rede de parentesco e cargos levanta sérias questões sobre a infiltração de organizações criminosas em setores estratégicos da infraestrutura urbana e a necessidade de fiscalização rigorosa na concessão de serviços públicos. Jilmar Tatto, ao Metrópoles, declarou que Roseli Martins é uma liderança comunitária de Cidade Tiradentes e ingressou em seu gabinete após colaborar em sua campanha.
O que esta em jogo: A investigação expõe as vulnerabilidades do sistema de transporte público e a necessidade urgente de transparência e fiscalização para evitar a infiltração de dinheiro do crime organizado em serviços essenciais, impactando a segurança pública e a confiança nas instituições democráticas.
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