A Sociedade Rural Brasileira critica as novas regras do Conselho Monetário Nacional que dão aos bancos liberdade unilateral para decidir sobre a prorrogação de dívidas do crédito rural, gerando preocupação entre os produtores.

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) manifestou forte descontentamento com a recente alteração nas regras de renegociação de dívidas do crédito rural, promovida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em nota divulgada, a entidade apontou que a mudança introduz um elemento de incerteza jurídica e coloca os produtores rurais em uma posição de dependência excessiva em relação à decisão das instituições financeiras, que agora possuem autonomia para deferir ou não os pedidos de prorrogação.
A Resolução 5.314/2026 do CMN é o cerne da controvérsia. Ela modificou o Manual de Crédito Rural, inserindo a expressão “por sua conveniência e decisão” nas diretrizes para a extensão de prazos de pagamento de dívidas. Anteriormente, a prorrogação era concedida mediante a comprovação de dificuldades temporárias por parte do produtor e a confirmação, pelo banco, da necessidade e da capacidade de pagamento futura. Com a nova redação, a análise técnica dá lugar a uma prerrogativa unilateral do credor.
A SRB vê nessa alteração um desequilíbrio significativo na relação entre produtores e bancos. Ao conferir tamanha liberdade aos bancos, a medida pode comprometer a previsibilidade essencial para os investimentos no campo. A instituição sublinhou que é “inadmissível conceder às instituições financeiras liberdade unilateral de decidir sobre a renegociação de dívidas”, alertando para o risco iminente de um aumento na judicialização de conflitos, à medida que produtores busquem amparo legal contra decisões que considerem arbitrárias.
O crédito rural é uma ferramenta crucial de política agrícola, concebida para fortalecer a produção e garantir a segurança alimentar do país. A Sociedade Rural Brasileira defende que a análise dos pedidos de prorrogação deve se manter ancorada em critérios técnicos, evitando a subjetividade e garantindo um tratamento equânime a produtores que, comprovadamente, enfrentam perdas e necessitam da renegociação para sustentar suas atividades. A organização lembrou ainda os desafios da próxima safra, como os impactos do El Niño, a escassez de fertilizantes e os elevados custos de produção, fatores que acentuam a necessidade de um sistema de crédito rural estável e justo.
As implicações desta mudança são vastas, atingindo desde pequenos agricultores até grandes produtores, ao retirar uma camada de proteção que antes existia. A medida pode desestimular investimentos a longo prazo, dada a incerteza quanto à flexibilidade em momentos de crise, sejam elas climáticas ou econômicas. A segurança jurídica é um pilar fundamental para qualquer setor produtivo, e a sua fragilização no agronegócio, um dos motores da economia brasileira, pode trazer consequências negativas para toda a cadeia produtiva e, em última instância, para o consumidor.
O que esta em jogo: A alteração nas regras de renegociação de dívidas do crédito rural, ao dar poder unilateral aos bancos, ameaça a segurança jurídica do agronegócio e a estabilidade financeira dos produtores, podendo gerar maior judicialização e impactar a produção agrícola e a economia nacional.
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