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Bancos elevam anuidades em até 185% e restringem salas VIP em cartões de alta renda

Grandes bancos brasileiros estão apertando as regras e elevando os custos de cartões premium, com aumentos significativos nas anuidades e restrições de acesso a salas VIP em aeroportos, impactando clientes de alta renda.

Por Redação Ponto FixoPublicado 29/06/2026 às 11h02· 3 min de leitura
Bancos elevam anuidades em até 185% e restringem salas VIP em cartões de alta renda
Foto: Marcelo Casall Jr./Agência Brasil

Após um período de intensa expansão de cartões de crédito voltados para o público de alta renda, os grandes bancos brasileiros iniciaram um movimento de revisão de benefícios e aumento de custos. Instituições como Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BRB estão na vanguarda dessas mudanças, apertando as regras de acesso a salas VIP em aeroportos e elevando substancialmente os valores das anuidades, um sinal de reajuste que, segundo especialistas, deve se alastrar pelo mercado.

A restrição e o encarecimento desses serviços vêm em resposta a uma combinação de fatores. O aumento da oferta de cartões premium resultou na superlotação das salas VIP, diminuindo a percepção de exclusividade que esses espaços oferecem. Paralelamente, a valorização do dólar tem impactado diretamente os custos de manutenção dessas estruturas, tornando o benefício menos sustentável para as instituições financeiras que arcam com grande parte dessas despesas.

As modificações são diversas e impactam diretamente os consumidores. O Santander, por exemplo, agora exige gastos acumulados entre R$ 15 mil e R$ 30 mil nos últimos três meses em alguns de seus cartões premium para liberar o acesso a salas VIP. O Bradesco, por sua vez, alterou a política para clientes do cartão Aeternum, que perderam o acesso ao programa LoungeKey, mantendo apenas os benefícios do Visa Airport Companion e dos Bradesco Lounges. Já o Banco do Brasil e o BRB promoveram reajustes drásticos nas anuidades: o BB Altus passou de R$ 1,8 mil para R$ 4 mil, um salto de 122%, enquanto o BRB Dux subiu de R$ 1.680 para R$ 4,8 mil, um aumento de 185,7%, além de endurecer as exigências para isenção e acesso às salas VIP.

Especialistas da área financeira recomendam cautela e uma análise criteriosa do custo-benefício. Gastar mais do que o necessário apenas para atingir as metas exigidas pelos bancos pode se revelar um prejuízo maior do que o pagamento da própria anuidade. A tendência é que outras instituições sigam o mesmo caminho, especialmente diante da realidade de muitos clientes que mantêm os chamados ‘cartões de gaveta’, utilizando-os apenas para acumular benefícios sem uma movimentação financeira que justifique os custos do produto para o banco.

Embora a restrição do acesso possa, paradoxalmente, melhorar a experiência dos usuários restantes ao reduzir a superlotação, os bancos precisam equilibrar essa medida com a manutenção da satisfação de seus clientes de alta renda. Uma redução na percepção de valor pode levar não apenas ao cancelamento do cartão, mas também à perda de outros produtos e investimentos que o cliente mantém na instituição, o que representa um risco significativo para o relacionamento e a rentabilidade.

O que está em jogo: As mudanças nas políticas de cartões premium redefinem o valor e a exclusividade dos benefícios para clientes de alta renda, podendo levar à reavaliação de gastos e à busca por alternativas, ao mesmo tempo em que os bancos tentam otimizar custos e garantir a sustentabilidade de serviços antes amplamente distribuídos.

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