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Flávio Bolsonaro dispara contra Lula em Buenos Aires e promete guinada em relação com Israel

Em conferência na Argentina, senador Flávio Bolsonaro chamou presidente Lula de 'antissemita' e delineou propostas para restabelecer laços com Israel, incluindo a mudança da embaixada para Jerusalém, caso seja eleito presidente.

Por Redação Ponto FixoPublicado 29/06/2026 às 09h02· 3 min de leitura
Flávio Bolsonaro dispara contra Lula em Buenos Aires e promete guinada em relação com Israel
Foto: Montagem sobre redes sociais

O senador Flávio Bolsonaro (PL), em um movimento que intensifica o debate sobre a política externa brasileira, qualificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ‘antissemita’ durante um discurso proferido neste domingo, 28, na abertura da Conferência de Presidentes da América Latina, em Buenos Aires. O evento, que reuniu lideranças políticas da região, foi promovido pela Fundação dos Aliados de Israel e Amigos Americanos dos Acordos de Abraão, com foco no fortalecimento das relações entre Israel e os países latino-americanos.

A fala do parlamentar, que se posiciona como pré-candidato à Presidência, não se limitou à crítica. Flávio Bolsonaro delineou um conjunto de promessas ambiciosas para uma eventual gestão, visando uma reaproximação contundente com Israel. Entre os compromissos apresentados, destacam-se a intenção de transferir a embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém e a adesão do Brasil aos Acordos de Isaac, uma iniciativa diplomática patrocinada pelo presidente argentino Javier Milei e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que busca ampliar a cooperação de Israel com países da América Latina.

A acusação de antissemitismo proferida por Flávio Bolsonaro se baseia em declarações anteriores de Lula, especialmente a comparação feita em 2024 entre a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza e o Holocausto. Essa declaração gerou uma crise diplomática significativa entre os dois países, resultando na retirada dos embaixadores e no rebaixamento das relações bilaterais, que atualmente são conduzidas por encarregados de negócios. O senador afirmou que Lula ‘nutre ódio pelo povo judeu’, reforçando a polarização em torno do tema.

As propostas de Flávio Bolsonaro representam uma guinada acentuada em relação à atual política externa brasileira. A mudança da embaixada para Jerusalém é uma demanda antiga de setores da direita brasileira e do governo israelense, enquanto a adesão aos Acordos de Isaac alinha o Brasil a uma iniciativa regional de fortalecimento de laços com Israel. O senador demonstrou confiança em sua candidatura, associando o cenário político sul-americano a um avanço de governos de direita, citando resultados eleitorais no Peru e na Colômbia como indícios de uma ‘onda azul’ no continente.

Ao finalizar seu pronunciamento, Flávio Bolsonaro projetou um cenário político futuro, mencionando a possibilidade de estar de volta em 2027 para consolidar a adesão do Brasil aos Acordos de Isaac, ‘ao lado do presidente Milei. E, quem sabe, ao lado do presidente Jair Bolsonaro’. Essa declaração sinaliza uma clara intenção de reorientar a diplomacia brasileira para um alinhamento mais próximo com governos conservadores e pró-Israel na América Latina.

O que está em jogo: As declarações de Flávio Bolsonaro não apenas acirram a crítica à política externa de Lula, mas também sinalizam uma proposta de profunda reconfiguração nas relações diplomáticas do Brasil com Israel, com implicações significativas para a geopolítica regional e as relações internacionais do país.

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